segunda-feira, 30 de junho de 2014

Globalizando: Órgão da ONU alerta para situação humanitária no mundo

A chefe do Escritório das Nações Unidas de Assistência Humanitária, OCHA, Valerie Amos, fez um alerta sobre a situação no mundo. Amos falou sobre as preocupações e desafios humanitários que a ONU enfrenta, mais recentemente no Iraque e na Ucrânia. Segundo ela, apesar do cessar-fogo, a situação piora com a violência e os conflitos contínuos. A subsecretária-geral para Assuntos Humanitários afirmou que a crise na Síria domina os esforços de resposta da agência com mais de 9 milhões de pessoas necessitadas, sendo quase 3 milhões de refugiados nos países vizinhos. 


A Teoria Realista Clássica: Tucídides, Maquiavel e Hobbes


Bianka Neves
Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA


O paradigma realista detêm suas preocupações em torno de dois conceitos chave: o poder e o conflito. E teve como corolário ou ainda marco inicial a Guerra do Peloponeso, entre 431-404 a. C., narrada e refletida pelo historiador grego Tucídides, considerado o “avô” do realismo clássico. Ele marca e remonta incialmente estes dois conceitos no decorrer de sua obra.

Assim, o realismo argumenta sobre a tese da sobrevivência e autoajuda por meio da manutenção do Estado, conservação do seu poder e a preservação da ordem pela subserviência de sua população, tendo a segurança comum como um pressuposto básico.  A segurança é um bem público de relevante valor. E mais: é um patrimônio necessário à humanidade que remonta aos antigos anseios das coletividades pré-estatais. No pensamento hobbesiano, essa percepção é bastante clara tanto em sua obra O Leviatã, quanto de seus escritos em De Cive. Em razão da necessidade de sobrevivência e da autoajuda dos Estados, o realismo irá se fundamentar no primado do egoísmo ético – em oposição ao altruísmo ético da escola liberal. Na famosa frase de Hobbes: “o homem é o lobo do próprio homem” - o Estado de Natureza.
Como Hedley Bull sintetiza acerca de Hobbes: a tradição hobbesiana descreve as relações internacionais como uma guerra de todos contra todos; uma arena de combates em que cada Estado está em preso contra o outro. As relações internacionais, em uma perspectiva hobbesiana, representam o puro conflito entre Estados e se assemelha a um jogo que é inteiramente distributivo ou uma soma-zero: os interesses de cada Estado excluem os de quaisquer outros (BULL, 2002, p. 23).
O cenário internacional, além de calcado na incerteza, é estruturado na assimetria do poder força entre os estados nacionais e na busca incessante dos seus próprios interesses, gerando insegurança. Por conseguinte, o Sistema Internacional é moldado pelo poder, pela força e pelo interesse, divergindo entre o coletivo e o individual. Em Hobbes, tal percepção reitera o sentido do “dilema de segurança”, situação na qual um determinado padrão de desenvolvimento da segurança interna, por meio de investimentos em defesa nacional pode gerar com os países vizinhos, situações até mesmo de aumento da insegurança. Em Hobbes, a vida no estado de natureza é solitária, pobre, detestável, bruta e curta. Para evitar tal situação de inconstância de vida, os estado civil surge para salvaguardar a ordem pública, a paz e a segurança dos cidadãos na relação com o “Leviatã” que imporá a força e o direito a fim de alcançar tal objetivo.
A corrente está sustentada, portanto, na existência inegável da anarquia, no dilema de segurança e no sistema de autoajuda dos Estados. E desde suas fontes clássicas na Ciência Política como Maquiavel e Hobbes, ao anterior estudo de Tucídides sobre as guerras entre Atenas e Esparta, e chegando a E.H Carr e Hans Morgenthau no século XX, além das novas vertentes estruturais e neoclássicas com Kenneth Waltz, John Mearsheimer, estas diretrizes mantém-se praticamente as mesmas, com variações de ênfase.
Com a formação dos Estados Nacionais, já antecipada inicialmente por Nicolau Maquiavel ao sintetizar a separação entre a moral e a política como fundamento da razão de Estado e afirmar que a unidade nacional deve afirmar a sua soberania contra os interesses particulares, estas concepções teóricas passaram a ganhar uma dimensão prática no desenvolvimento das políticas das nações nos séculos XVII/XIX.
Emergiu, assim, o conceito raison d’état. Expressão de origem francesa desenvolvida pelo Cardeal Richelieu (1585/1642), ela estabelece que os interesses nacionais do Estado constituído devem ser buscados de forma racional, seguindo um cálculo de custos e benefícios, visando o incremento do poder nacional e sendo julgados a partir de critérios exclusivamente políticos. Uma releitura do pensamento de Maquiavel.
Na Alemanha unificada de Otton Von Bismarck (1815/1898), as práticas do equilíbrio de poder e a ação baseada em considerações racionais visando o interesse do Estado passaram a ser definidas como realpolitik. E as mais versadas emergem no cenário europeu com a distinção entre: a low politics - esfera da economia e da cultura e a high politics- esfera da diplomacia, do poder e da guerra.
Por fim, Dougherty e Pfaltzgraff assim sintetizam os seis componentes básicos compartilhados pelas visões realistas:
1.    O sistema internacional é baseado no Estado-Nação como seu ator–chave.
2.    A política internacional é essencialmente conflituosa, uma luta por poder em um ambiente anárquico no qual estes Estados inevitavelmente dependem de suas próprias capacidades para garantir sua sobrevivência.
3.    Os Estados existem em uma condição de igualdade de soberania, porém detém diferentes capacidades e possibilidades.
4.    A política doméstica pode ser separada da política externa.
5.    Os Estados são atores racionais, cujo processo de tomada de decisão é sustentado em escolhas que levem à maximização de seu interesse nacional.
6.    O poder é o conceito mais importante para explicar e prever o comportamento dos Estados.
Portanto, embora o realismo seja baseado no poder e conflito, é também “uma ferramenta crítica para revelar a jogo dos interesses nacionais sob a retórica do universalismo”. (DUNNE and SCHMIDT, 2001, p. 179).
Referências:
BULL, Hedley. The Anarchical Society: A Study of Order in World Politics. 3rd ed. Columbia University Press, New York: 2002.
DOUGHERTY, James & PFALTZGRAFF, Robert. Contendig Theories Of International Relations. Nem York, Longman, 1997.
DUNNE, Tim & SCHIMDT, Brian C. “Realism” in BAYLIS, John & SMITH, Steve (ED.). The globalization of world politics- an introduction of International Relations. Oxford: OUP, 2005, 3°ed. pp. 161-183.
HOBBES, Thomas. O Leviatã. 4ª ed. São Paulo: Nova Cultura, 1998.
MIGUEL, Vinicius Valentin Raduan. A perspectiva realista nas relações internacionais – fatores estruturais do sistema político internacional. Blog Jus Navigandi, 2010. Disponível em: http://jus.com.br/artigos/17929/a-perspectiva-realista-na-teoria-das-relacoes-internacionais. Acesso em 24 de junho de 2014.
GIFFONI, Manoel. Teoria das Relações Internacionais. Blog Fichas Marra, 2010. Disponível em: http://fichasmarra.wordpress.com/2010/11/12/teoria-das-relacoes-internacionais/. Acesso em 24 de junho de 2014.

domingo, 29 de junho de 2014

Dicas de Filmes

CATFISH


Ano de Lançamento: 2010
Gênero: Documentário
Direção: Henry Joost, Ariel Schulman
Elenco: Melody C. Roscher, Ariel Schulman e Yaniv Schulman






O longa mostra como o advento das mídias sociais mudou a forma como as pessoas se relacionam na internet. Dois irmãos resolvem documentar todo o processo que levou dois estranhos a se interessarem um pelo outro apenas pela tela do computador. Quando resolvem se conhecer, começa uma verdadeira montanha-russa emocional onde cada um deverá expor a realidade daquilo que foi criado online.


LINHA DE FRENTE



Título Original: Homefront
Ano de Lançamento: 2013
Gênero: Ação / Suspense
País de Origem: EUA
Direção: Gary Fleder



Um ex-agente do departamento de narcotráficos tenta fugir de seu passado conturbado. Entretanto, ele descobre que o submundo das drogas e da violência assombram sua pequena cidade. O chefe do tráfico de metanfetamina na cidade coloca o agente e sua filha em perigo e, por isso, ele é obrigado a voltar à ativa.


DOMÉSTICAS



Direção: Fernando Meirelles, Nando Olival
Elenco: Claudia Missura, Graziela Moretto
Gênero: Comédia dramática
Nacionalidade: Brasil




O filme analisa a classe de trabalhadoras domésticas, como pessoas que moram em nossas casas, mas vivem como se não estivessem lá. Além disso, mostra o olhar preconceituoso sobre o trabalho das domésticas no Brasil, bem como o porquê disto. As situações se passam a partir das histórias de cinco domésticas que têm sonhos diferentes.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Globalizando: Luta contra o Uso e o Tráfico de Drogas

A Organização das Nações Unidas designou o dia 26 de junho como o Dia Internacional da Luta contra o Uso e o Tráfico de Drogas e o Brasil adotou-o com o Dia Nacional de Combate às Drogas. O tráfico internacional de drogas movimenta bastante dinheiro todos os anos, razão pela qual não se pode negar que este crime seja altamente poderoso e perigoso, especialmente por afetar milhares de pessoas. Interessado no assunto? Sintonize amanhã na Rádio UNAMA FM 105.5 às 11h. 


Dia do Orgulho Gay

Rafael Theocharopoulos
Acadêmico do 3º semestre de Relações Internacionais da Unama

          Ao longo do presente artigo dissertar-se-á sobre o Dia do Orgulho Gay, o significado desta data, com todas as suas representações, recorrendo aos conceitos do teórico critico das relações internacionais, Andrew Linklater e sua sociedade dialógica.
          A data comemorativa surgiu em 1969 com a rebelião de Stonewall em Nova Iorque. Stonewall era um bar usado pelo público alternativo como ponto de encontro, uma vez que à época os homossexuais eram tidos como pessoas doentes e assim eram proibidas de consumir álcool ou cigarros e então todos os bares da cidade passavam por revistas da policia, onde os presentes deveriam identificar-se e de alguma maneira provar que eram heterossexuais.
          Estas revistas eram organizadas propositalmente em locais onde o público era em sua maioria gay, com o intuito de conseguir suborno dos donos e dos clientes. Tal situação causou revolta quando um dos clientes recusou-se a apresentar sua identificação e sendo copiado pelos demais, tornaram-se protagonistas de um embate violento com a polícia que culminou em um movimento de repercussão internacional.
     Inicialmente a data passou a ser usada como uma maneira de relembrar os acontecimentos da noite de 28 de junho, a qual se tornou um marco histórico da luta por espaço e respeito na sociedade, e uma tentativa de romper com os padrões opressores existentes até então. Ruptura fundamental às gerações que surgiriam nas próximas décadas.
          Atualmente o referido dia é usado como uma expressão do orgulho por sua identidade de gênero e tentativa de lembrar aos demais que essa identidade é inerente ao indivíduo e não pode ser intencionalmente alterada. Para alguns representa poder relacionar-se com os demais sem ter vergonha de ser taxado como diferente, poder conseguir mudar o pensamento de certas pessoas quanto ao assunto e principalmente conseguir o devido respeito e reconhecimento.
          Andrew Linklater, teórico crítico das Relações Internacionais, com base nos postulados do filósofo alemão Jürgen Habermas sobre a “ação dialógica”, que em termos práticos ocorre quando o individuo para ser reconhecido como tal depende do diálogo com outrem, cria a noção de “sociedade dialógica”. Ele idealiza o cosmopolitismo, a inclusão e a celebração das diferenças. Neste sentido, ele diz que grupos menores, antes excluídos ou desfavorecidos, por serem em menor quantidade que os demais, por exemplo, passarão a ter os mesmos direitos e terão acesso ás discussões que envolvem aquele nicho social do qual fazem parte.
          Neste aspecto, há um encontro da teoria com o referido tema, uma vez que por anos a comunidade foi oprimida, e por mais que existam fluxos contrários ao desenvolvimento do espaço adquirido pelo publico gay, e mesmo que ainda tenham muitos pontos a serem revistos, o movimento conquistou um espaço significativo em relação à época da década de sessenta, como preconizado nos postulados de Linklater.



Referências Bibliográficas

SILVA, Marco Antônio de Meneses. Teoria Crítica em Relações Internacionais. Contexto internacional – vol. 27, no 2, jul/dez 2005.

10 motivos para ter orgulho de 28/07. Disponível em: http://zh.clicrbs.com.br/rs/vida-e-estilo/vida/noticia/2014/06/no-dia-do-orgulho-lgbt-gays-e-trans-listam-10-motivos-para-ter-orgulho-4537629.html. 

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, o aluno fala sobre qualquer assunto relacionado ao curso de Relações Internacionais. A entrevistada de hoje é a acadêmica, do 4º semestre, Thainá Penha.

Confira o que ela tem para falar sobre R.I!




Globalizando: ACNUR abre novo escritório e depósito no sul da Síria

A agência da ONU para Refugiados, ACNUR, inaugurou um novo escritório e novo depósito em Sweida, cidade no sul da Síria. O local irá abrigar itens de ajuda humanitária para milhares de civis que estão desalojados dentro do país. A abertura do escritório e do depósito no sul da Síria faz parte de uma política de expansão das operações humanitárias do ACNUR. A partir do escritório em Sweida, serão distribuídos itens básicos e lá também serão coordenados abrigos coletivos para os sírios e fornecimento de serviços de saúde, educação e assistência legal. 


quarta-feira, 25 de junho de 2014

Globalizando: Racismo e xenofobia em debate no Conselho de Direitos Humanos.

O Conselho de Direitos Humanos da ONU realizou um debate sobre racismo e xenofobia. No encontro, em Genebra, a representação de Costa Rica falou em nome dos países da América Latina e do Caribe. Foi reafirmado o compromisso das nações do bloco com a Declaração de Durban e Programa de Ação, documento assinado pela comunidade internacional contra o racismo e a intolerância. Na reunião, o Conselho de Direitos Humanos também adotou uma resolução para implementar a Década Internacional dos Afrodescendentes a partir de 1 de janeiro de 2015.


Dia Internacional de Combate às Drogas


Yuri Durães
Acadêmico do 7° semestre de Relações Internacionais da UNAMA


Em 1987, a Organização das Nações Unidas (ONU) determinou o dia 26 de junho como o Dia Internacional de Combate às Drogas. A primeira conferência sobre o assunto foi convocada pela ONU em fevereiro de 1990, firmando de 1991 a 2000 como anos internacionais de combate às drogas.
Em 1997 a ONU criou o Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês) com o objetivo de prestar cooperação técnica aos países-membros para reduzir os problemas na área de saúde (como o HIV) e social (como a violência) que possuem relação direta ou indireta com as drogas ilícitas e o crime. A cada ano, no mês de junho, o UNODC prepara uma campanha internacional de prevenção a drogas, visando contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos países ao promover justiça, segurança, saúde e direitos humanos.
As drogas já se tornaram um mal social em todo mundo. No Brasil, os dados são particularmente alarmantes. De acordo com o mais recente estudo apresentado pela ONU, a proporção da população brasileira que consome cocaína cresceu de 0,4%, em 2001, para 0,7%, em 2005. Em 2001, 1% dos brasileiros entre 15 e 65 anos consumia a droga. O índice subiu para 2,6% em 2005. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o mundo tem pelo menos 200 milhões de consumidores de drogas, dos quais 40 milhões são dependentes.
As drogas foram usadas ao longo de vários anos para fins muito diferentes: em cerimônias religiosas, em sessões de meditação, medicina, datas comemorativas, festejos e confraternizações. Hoje em dia é difícil uma comemoração, seja ela familiar ou não, em que o álcool não esteja presente.
As informações sobre aos malefícios que causam a droga são amplamente divulgadas nos meios de comunicação (televisão, revistas, internet, etc.) viável para todos, independentemente do nível econômico da pessoa. Em contrapartida vemos muitas propagandas a favor do vício diretamente e indiretamente: “51 uma boa ideia”; “Deu duro? Tome um Dreher”. “Desce macio e reanima”; “a cerveja que desce redondo”, etc. Muitas vezes, os próprios pais incentivam seus filhos ao consumo de drogas, por meio de exemplos pessoais ou mesmo por brincadeira.
O Governo Federal pretende investir até 2014 um total de R$ 4 bilhões no Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas, e é responsabilidade dos municípios a criação dos Conselhos Municipais de Combate as Drogas – COMAD, que objetiva propor e acompanhar, a execução da política municipal de prevenção ao uso indevido de drogas e substâncias que causem dependência física ou psíquica; coordenar, desenvolver e estimular programas:
a) De prevenção ao uso indevido e à disseminação do tráfico ilícito de drogas e substâncias que causem dependência;
b) Tratamento, recuperação e reinserção social de dependentes;
c) De otimização e capacitação de recursos humanos para o trabalho de prevenção.

O uso indiscriminado das drogas e, pior, o tráfico ilegal destas, gera um mal social de difícil resolução e conduz milhões de pessoas à morte. Por isso, é papel das organizações internacionais, dos Estados, dos indivíduos e demais atores que promovem a política mundial, trabalharem para a promoção do bem-estar social, e da dignidade humana, livre de dominações e dependências de qualquer tipo.


Referências:
NATIONAL-AWARENESS-DAYS. Acessado em 11/06/14 pelo site:  < http://www.national-awareness-days.com/international-day-against-drug-abuse-and-illicit-trafficking.html >
UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME. Dia Internacional ao Combate de Drogas. 2013 Acessado em 10/06/14 pelo site < http://www.un.org/en/events/drugabuseday/> ou <http://www.unodc.org/brazil/>



terça-feira, 24 de junho de 2014

Pensamentos Internacionalistas: O Agir Estratégico e a Ação Dialógica

Jürgen Habermas influencia o estudo das áreas das Relações Internacionais, do Direito e das ciências sociais e humanas. Autor de livros como: Direito e Democracia: entre facticidade e validade, Consciência Moral e Agir Comunicativo, Pensamento Pós-metafisico, entre outros. Habermas possui um amplo debate sobre a ação dialógica. 



“Enquanto que no agir estratégico um atua sobre o outro para ensejar a continuação desejada de uma interação, no agir comunicativo, um é motivado racionalmente pelo outro para uma ação de adesão – e isso em virtude do efeito ilocucionário de comprometimento que a oferta de um ato de fala suscita”.

(HABERMAS, Jürgen. 2003.)

Globalizando: UNESCO lança portal de combate à corrupção na educação

O Instituto Internacional para Planejamento da Educação e a UNESCO lançaram o portal Ético para combater a corrupção no setor. O portal Ético traz as últimas pesquisas sobre corrupção na educação e busca promover transparência e discussões sobre o tema em um blog dentro do site. A UNESCO cita alguns casos de sucesso, como a criação de conselhos em escolas brasileiras para reduzir os riscos de desvio de verbas para merenda escolar.


segunda-feira, 23 de junho de 2014

Globalizando: ONU quer leis mais rigorosas de combate à violência contra mulheres

A relatora especial da Organização das Nações Unidas Rashida Manjoo pediu a criação e a adoção de uma lei internacional para combater a violência contra mulheres. Manjoo alertou que desafios antigos e novos estão impedindo os esforços de promoção e proteção dos direitos do grupo e pela igualdade de gêneros. Ela quer que os países adotem normas e medidas para ajudar na luta contra a violência que as mulheres sofrem no mundo inteiro. 


Os Refugiados no Brasil

Subina Ramos
Acadêmica do 3° semestre de Reações Internacionais da UNAMA


São tidos como refugiados aquelas pessoas que são obrigadas a fugirem dos seus países de origem em razão de perseguição religiosa, pela diferença de raça (cor) ou etnia e, principalmente, pela existência de instabilidade política. As pessoas tendem a fugir quando sentem que suas vidas e comunidades estão sob risco, o que culmina num estado de “não lugar”, logo, sem voz e liberdade de exigir que se cumpram os fundamentos do Homem no meio social.
O final do século XIX e início do século XX foi marcado por uma situação alarmante do número de refugiados pelo mundo, o que viria a se tornar uma narrativa de ação conjunta entre os Estados. Questão esta que reivendicou uma maior atenção na matéria dos princípios humanitários no que diz respeito à responsabilidade e tarefas que se deve encabeçar com vista ao prevalecimento dos mais básicos e essenciais direitos sócio-estruturais das pessoas. Dentre os direitos garantidos à pessoa do refugiado, faz-se necessário destacar o direito fundamental de não ser devolvido ao país em que sua vida ou liberdade esteja sendo ameaçada.  
 A questão dos refugiados ganhou ainda um maior destaque no cenário internacional no pós-guerra, quando se estabeleceu um órgão subsidiário no âmbito da ONU para proteger esse grupo: o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR). Também foi elaborado o principal instrumento internacional em matéria de refugiados: a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951.
A quantidade e a magnitude das crises de refugiados em todo o mundo – assim como a expectativa por “socorro” ou refúgio – geralmente são maiores do que a vontade da comunidade internacional em ajudar.
O Brasil se inseriu nesse contexto internacional voltado para os refugiados. Porém, sua atuação se destacou especialmente após a redemocratização política no plano interno, em 1986. Com o auxílio do ACNUR, 50 famílias provenientes do Irã foram acolhidas pelo Brasil pela aplicação do estatuto de asilados. Em 19 de dezembro de 1989, o Brasil retirou a reserva geográfica, passando a acolher refugiados de todos os continentes . Nesse contexto, consolidou-se o trabalho da Cáritas São Paulo e outras instituições com os refugiados.
Porém surge outra questão realçada nessa política brasileira de acolher sem restrições: a de como serão recebidos. E como vão se manter em solo brasileiro? O número de pedido de refúgio no Brasil avança de forma galopante.  Do total de pedidos de refúgio feitos ao Brasil no ano passado (2013), 2.242 (43%) foram de africanos, outras 2.039 solicitações (39%) partiram de asiáticos e atualmente há cerca de 5.200 refugiados reconhecidos pelo governo no Brasil.
Os motivos que explicam esses números se assentam na facilidade que a lei brasileira proporciona a essas pessoas. Pelo seu O Brasil tem papel pioneiro e de liderança na proteção internacional dos refugiados. Além disso, foi o primeiro país da América do Sul a ratificar a Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados. Todavia, devido à fragilidade instituicional, muitas dessas pessoas prevalecem na mesma situação que encaravam no seu país de origem.
Grande quantidade de refugiados e de deslocados internos representam um desafio na questão de recursos e podem, inclusive, desestabilizar o país que os acolhe. Nota-se que grande parte dos países desenvolvidos, principalmente na Europa, criaram políticas de controle ao número de asilo concedido por temerem a desestabilização interna, deixando essa tarefa para os países de menor suporte.
Nesse ponto, é interessante notar que o ACNUR considera o Brasil um líder regional em matéria de refugiados, com a capacidade de ajudar a prevenir a intensificação de conflitos na região que possam resultar em novos fluxos de refugiados. Também reconhece o comprometimento do país com a proteção dos refugiados e entende ser exemplar o tratamento desses indivíduos, tanto em termos de legislação quanto dos esforços empregados para sua integração.
Assim, o crescente número de refugiados, comprova que o mundo caminha cada vez para uma instabilidade, e que difícil se torna o estabelecimento dos ideiais de uma sociedade, que é a imagem de um meio estável com garantias e liberdades para todos seus membros.

Referências
ACNUR no Brasil, Agência da ONU para os refugiados < disponível em : http://www.acnur.org/t3/portugues/informacao-geral/o-acnur-no-brasil/> acesso em 21.06.2014.
 LEÃO, Renato Zerbini Ribeiro. A temática do refúgio no Brasil após a criação do Comitê Nacional apara os Refugiados – CONARE. In: MILESI, Rosita (Org.). Refugiados: realidade e perspectivas. Brasília: CSEM/IMDH; Loyola, 2003. p. 171-196.   
PNUD. 2007. Projeto de Reassentamento de Refugiados no Brasil. 2004. Disponível em: http://www.pnud.org.br . Acesso em: 20.06. 2014. 
SANTOS, João Paulo de Faria. Os refugiados e a sociedade civil: a experiência da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo. In: MILESI, Rosita (Org.). Refugiados: realidade e perspectivas. Brasília: CSEM/IMDH; Loyola, 2003. p. 134-154. 
ACNUR. A situação dos refugiados no mundo: cinquenta anos de acção humanitária. Almada: A Triunfadora Artes Gráficas, 2000.

domingo, 22 de junho de 2014

Resenha: Ensaio Sobre a Cegueira (2008)

Brenda de Castro
Internacionalista (UNAMA) e Mestranda em Ciência Política (PPGCP/UFPA)


Baseado na obra homônima de José Saramago e dirigido pelo brasileiro Fernando Meireles, sendo assim uma produção brasileira, canadense e japonesa, “Ensaio sobre a cegueira” ou Blindness, é um filme que possibilita infindáveis discussões sobre inúmeros temas. Conta ainda no elenco impecável com Julianne Moore, Danny Glover, Alice Braga, Mark Ruffalo e Gael García Bernal.
A história gira em torno da epidemia de uma cegueira branca a qual não se sabe a origem e muito menos a cura, apenas que, ao entrar em contato com quem a possui a pessoa também passa a apresentar o sintoma. Assim, o caos se estabelece e o medo do contágio acaba por levar o poder público a isolar os afetados em uma espécie de quarentena.
Julianne Moore interpreta a esposa do oftalmologista (Mark Ruffalo) que foi o primeiro a atender um paciente com a cegueira, o qual também ficou cego. Contudo, apesar dela ter entrado em contato com o marido cego, por algum motivo ela não manifesta o sintoma. E, assim, quando o levam para a quarentena, ela se voluntaria a ir, afirmando também estar cega.
Como muitos filmes que trazem cenários apocalípticos, de sobrevivência ou de situações extremas, uma das abordagens para discutir o desenrolar do filme é a natureza humana em situações que não há lei ou ordem.
O lugar onde as pessoas que sofrem da cegueira são alojadas, por conta do alto índice epidêmico, não possui representantes do governo, apenas uma guarda que garante que ninguém saia e os alimentos que são entregues para eles. De resto, eles próprios começam a se organizar e dividir pelas alas.
Assim, quando alguns problemas começam a surgir – tais como a divisão da comida e a necessidade de distribuir algumas tarefas como enterrar alguns mortos – uma parte do grupo opta pela democracia representativa enquanto outra ala, incomodada pela iniciativa de ordenamento, declara-se nas palavras do personagem interpretado por Gael García Bernal: “uma monarquia”. Autodeclarando-se o “rei da ala três”. Uma cena cômica, mas que dá início aos primeiros problemas do grupo.
É possível afirmar que a situação em que se encontram remete ao estado de natureza hobbesiano, pois como o próprio diz: “onde não há poder comum, não há lei, e onde não há lei, não há injustiça”.  Os princípios da Teoria Realista das Relações Internacionais também são visíveis. O mundo anárquico e conflituoso no momento em que cada grupo/indivíduo tenta impor sua visão – seja pelo diálogo ou, mais tarde, pela violência. O uso da força, a prevalência do mais forte.
Por outro lado, podem-se observar também alguns princípios kantianos, e, consequentemente, idealistas. Por exemplo, temos na personagem interpretada por Julianne Moore uma negação do ditado “em terra de cego quem tem um olho é rei”. Apesar de possuir a visão, podendo ser considerada certa “vantagem”, ela não usa a seu bel prazer. Ao contrário. Faz da sua visão um meio para tornar a vida para os demais um pouco melhor e se doa, mantendo o fato inclusive em segredo. Até mesmo quando há a imposição violenta por parte do outro grupo, continua buscando a cooperação e o diálogo.

           No grupo do qual ela faz parte, também vemos ímpetos de cooperação para sobreviver à situação e humilhação imposta, inclusive levando à cena chocante em que várias mulheres se submetem à violência sexual a fim de manter a paz entre os grupos.
            Numa visão kantiana, o próprio conflito leva à busca por novos arranjos em busca de um propósito comum a todos ali. Tornando a visão reducionista do homo homini lupus um pouco mais complexa de ser analisada.
            Sendo até mesmo mais uma prova de que, seja num cenário hipotético ou real, duas visões extremistas podem coexistir.