quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Interesses particulares por detrás do caso de corrupção da Petrobras

Neila Sousa
Acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA

Ultimamente, o nome da empresa estatal brasileira, Petrobras, tem sido alvo dos principais setores midiáticos no Brasil e no mundo em decorrência da atual situação de corrupção que vem enfrentando, espalhando um ar de decepção, e, de certa forma, gerando dúvidas na população sobre a permanência do atual governo. A eclosão do caso Petrobras chegou ao ponto de partidos opositores, junto às grandes mídias nacionais, se aliarem com o interesse de mobilizar o povo para pedir o impeachment da atual presidente, Dilma Rousseff.
Durante a pesquisa para escrever este texto, considerei necessário realizar uma análise histórica da empresa junto ao mandato de alguns governos que a administrara para refletirmos sobre a conjuntura que envolve a maior empresa brasileira, pois há muitos anos a maior empresa petrolífera do país vem sendo visada por grandes multinacionais. E, diante da visão da teoria construtivista, vivemos uma realidade socialmente construída. Portanto, vivemos em um sistema cujas leis impedem que uma única pessoa, ou seja, a presidente dite as regras, assim como responda pelos erros cometidos diretamente pelos envolvidos no escândalo da corrupção.
A disputa pela gerência da Petrobras teve início quando ainda se pensava na construção da empresa. O Brasil é um país rico em minérios e petróleo, por isso, os olhos estrangeiros direcionam-se sobre as terras e recursos naturais nacionais. Dois grupos surgiram: um defendia a privatização, e o outro a monopolização estatal do petróleo.
No ano de 1948, houve alguns projetos encaminhados ao congresso nacional pelo então presidente Gaspar Dutra, os quais tinham a intenção de permitir a participação da iniciativa privada na indústria, porém muitos nacionalistas se posicionaram contra a ideia de entregá-la às multinacionais estrangeiras. Além disso, na época já havia um domínio do comércio de petróleo em âmbito mundial pelas maiores companhias do setor, conhecidas como “Sete Irmãs”, sendo cinco delas norte-americanas. Para impedir a ação da iniciativa privada, foram feitas algumas mobilizações para que o projeto não fosse aprovado e ficasse sob o domínio do Estado, e tiveram apoio de intelectuais como Monteiro Lobato. Deste modo, diante da necessidade de explorar os recursos petrolíferos, juntamente com o receio de intervenções estrangeiras nas ações da unidade nacional, surgiu a Petrobras.
No decorrer do tempo, a indústria cresceu, e os olhares estrangeiros acompanharam este desenvolvimento. Em 1997, o governo de FHC sancionou uma lei que permitia à União a contratação de empresas estrangeiras para supervisionar e até planejar políticas públicas de energia, surgindo então a ANP (Agencia Nacional do Petróleo). Mas, ainda assim, o Estado tem o petróleo sob o monopólio de exploração.
A Petrobras é símbolo de soberania e democracia brasileira. Assim, a operação Lava Jato, é um meio de investigação sobre a corrupção que se mostra presente na política interna, e auxilia para o projeto de construção um país que preza pela política de transparência. Contudo, a mídia utiliza o fator corrupção como um meio de alcançar interesses particulares.  Uma crise como esta que a Petrobras vem enfrentando pode gerar resultados positivos, por exemplo, a maior transparência política e a pressão cada vez mais aos líderes para que levem em frente o projeto de reforma política nos país.
O grande foco distorcido que a mídia está dando para os problemas de corrupção alimentam a ideia de que um Estado não consegue ter controle de uma grande indústria como esta. Isto causa a impressão de que atitudes contraditórias de grupos de interesse são permitidas e até aceitas pela mídia quando se trata de uma das maiores riquezas do mundo, como o petróleo, inclusive generalizar e/ou ocultar os verdadeiros fatos. E por falta da cultura da busca pela verdadeira informação, acaba-se acreditando na primeira em que é oferecida. Mas, como disse o general Horta Barbosa durante a célebre conferência no Clube Militar, no início da “Campanha do Petróleo”, em 30 de julho de 1947: “O petróleo pertence à Nação, que há de dividi-lo, igualmente, por todos os seus filhos. A Petrobrás e o petróleo do Brasil não pertencem aos ‘acionistas’ ou aos ‘investidores’, mas pertencem a todos os brasileiros, sem exceção”. 



REFERÊNCIAS:


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