sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Dia Mundial da Justiça Social

Carla Tayane Pinto Barros
Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA


O Dia Mundial da Justiça Social foi instituído pelas Nações Unidas no dia 20 de fevereiro de 2009. Este dia tem o objetivo de promover os esforços necessários para que a comunidade internacional possa enfrentar, com sucesso, questões que assolam o mundo como a pobreza, a desigualdade, a exclusão e o desemprego. A designação desta data veio com o intuito de mostrar que a ONU reconhece e apoia a necessidade de aumentar os esforços da comunidade internacional em função da erradicação da pobreza, da promoção do trabalho digno, da igualdade de gênero e do acesso ao bem-estar social e da justiça para todos.
O termo Justiça Social surgiu em meados do século XIX e compreende a noção da necessidade de se distribuir de maneira igualitária os bens sociais. Em uma sociedade, onde haja justiça social, os direitos humanos são sempre respeitados e todas as classes sociais contam com as mesmas oportunidades de desenvolvimento. Para que haja a justiça social, é necessário que o Estado compense as desigualdades que nascem nas estruturas da sociedade.
Correntes como o liberalismo econômico, consideram que a justiça social está ligada, em termos gerais, à criação de oportunidades e à proteção da iniciativa privada. Já o Socialismo e as correntes de esquerda, em geral, defendem a intervenção estatal como o único meio de o bem-estar social.
Para organizações internacionais como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), o dia da justiça social é de suma importância para a intensificação das discussões sobre a desigualdade causada pela globalização, que não oferece as mesmas oportunidades a todos, além de estar refletida no mercado de trabalho.
A designação desta data como mecanismo de luta em função da justiça social, da própria noção de justiça social, de direitos humanos e da plena garantia destes, podem estar relacionadas à escola de pensamento idealista – em sua vertente clássica – principalmente pela crença de que as sociedades e os homens são capazes de, a partir de meios pacíficos, estabelecer um convívio social igualitário.
Portanto, a justiça social é considerada essencial para que haja uma convivência pacífica e próspera entre as nações e esta meta só será alcançada por meio da cooperação e do fortalecimento e construção de instituições que promovam o desenvolvimento inclusivo.



Referências
http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=2748http://www.dhnet.org.br/direitos/deconu/textos/integra.htm

Globalizando: Experiências Internacionais de Superação da Crise Hídrica

A escassez de água no mundo é agravada em virtude da desigualdade social e da falta de manejo e usos sustentáveis dos recursos naturais. Em alguns países a situação de falta d'água já atinge índices críticos de disponibilidade, como é o caso de São Paulo no Brasil. Se interessou pelo assunto? Então sintonize na Rádio UNAMA FM no sábado às 11h ou na segunda às 21h e ouça o Programa Globalizando. 


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, o aluno fala sobre o que mais lhe agrada no curso de Relações Internacionais. A entrevistada de hoje é a acadêmica do 8° semestre, Carolinne Barata.

Confira o que ela tem para falar sobre RI!

Globalizando: ONU pede a países mais fundos para programas de desenvolvimento

O vice-secretário-geral da ONU, Jan Eliasson, afirmou que o mundo embarcou na última parte da agenda de desenvolvimento pós-2015 para garantir um futuro sustentável para todos. Segundo ele, essa é uma jornada histórica para definir o conteúdo de um programa ambicioso. E para que isso possa acontecer é necessário intensificar a cooperação internacional em várias frentes para mudar a forma do sistema de financiamento para o desenvolvimento. A nova agenda de desenvolvimento representa o compromisso coletivo de todos os países pela humanidade e pelo planeta. 


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Relação entre a Guerra Civil Síria e o Surgimento do Estado Islâmico



Adriano Bastos Rosas
Acadêmico do 8º Semestre de Relações Internacionais da Unama

As ações que sucederam o ataque do 11 de Setembro e as políticas de imposição dos valores ocidentais por meio do descomedimento no uso de violência e de práticas de abuso de poder (torturas autorizadas, humilhações, etc.) foram, paulatinamente, tornando a perspectiva de pacificação entre a civilização ocidental e o mundo muçulmano uma possibilidade cada vez mais remota à medida em que agentes, em ambos os grupos, foram se adaptando aos discursos de desumanização, de banalização da violência e de indiferença aos impactos de suas ações sobre indivíduos e sociedade civil mais diretamente afetados.
Contrariando a lógica do conflito do Ocidente contra Terrorismo Internacional Islâmico, este início de 2015 apresenta alguns traços que em outro momento seriam inconcebíveis, em destaque: o posicionamento do Irã como aliado dos EUA após a entrega de sua tecnologia nuclear e o surgimento de conflitos entre os próprios Estados árabes. O que teria mudado? Como? Que consequências tais mudanças têm e poderão promover nas dinâmicas do Sistema Internacional atual?
Inserida tanto no conflito anteriormente citado, quanto no contexto da Primavera Árabe (2011-), a Guerra Civil na Síria (2011-) passou a atrair mais atenções dos Estados e da mídia internacional nos últimos meses de 2013. Isto iniciou após um bombardeio que matou centenas de pessoas em Damasco. Assim, intensificaram-se as pressões internas (seja por parte dos “rebeldes”, seja por parte do governo) e internacionais para que alguma ação fosse tomada pela ONU e pelas potências mundiais. Tal como no caso da Líbia (2011-), a intervenção internacional acabou se mostrando ineficiente, contribuindo para a continuidade do litígio e dos abusos no uso de força e violência.
Seria apenas na segunda metade do ano seguinte que os membros do Conselho de Segurança da ONU e o SI viria a se dar conta de um terceiro ator que, pouco a pouco, foi adquirindo territórios, soldados, tecnologia e um peculiar modus operandi: O “Estado Islâmico”, também conhecido como ISIS.
Tendo iniciado suas atividades no ano de 1999 sob o comando de Abu al-Zarqawi (1966 – 2006), o grupo que então se autodenominava “A Organização do Monoteísmo e Jihad” foi aos poucos adquirindo notoriedade internacional a partir de sua aliança com Bin Laden (1957 – 2011), fato que lhe conferiu a alcunha – nunca assumida – de al-Qaeda no Iraque (AQI). Com o passar dos anos e com a mudança da nomenclatura para Estado Islâmico do Iraque (ISI) em 2006, o movimento foi, pouco a pouco, absorvendo outros grupos de extremistas religiosos, vindo a se aproveitar do enfraquecimento dos governos e canibalizando os recursos de outros grupos terroristas em regiões ocupadas pelas potências ocidentais.
Após experiências exitosas em suas movimentações regionais, o ISI viu no conflito interno sírio e na intervenção ocidental mais uma oportunidade para expandir sua zona de influência, combatendo rebeldes, governo e ainda outros terroristas com igual voracidade, vindo a adicionar a Síria em sua nomenclatura: ISIS. Diferente da situação iraquiana, cujo governo pós-ocupação se mostrava frágil e desacreditado, a administração al-Assad – apoiada por Rússia e China, membros do CSONU – não tem hesitado em combater os “novos” adversários.
Se para o mundo muçulmano o extremismo do ISIS já desperta terror, para as lideranças da civilização ocidental, devido a seu papel na ascensão do mesmo, representa o mais profundo fracasso em lidar com as peculiaridades dos povos daquela região e com a problemática do terrorismo internacional islâmico como um todo. De fato, é provável que alianças, tal como a aliança EUA e Irã, venham a ser formadas a fim de suprimir as ações do ISIS. O desafio é converter tais possibilidades em soluções e mecanismos de comunicação entre o mundo ocidental e o muçulmano mais eficientes, duradouros e – principalmente – sensíveis à realidade do outro se há algum fato que o fortalecimento do ISIS revela, é que o tratamento unilateral, impositivo e desumanizado até então praticado já não é mais uma solução cabível, sob o risco de que se despertem novo terrorismo ainda mais radical no futuro.

Globalizando: FAO aposta em nova tecnologia para previnir doenças em animais

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, anunciou uma parceria com o Instituto Suíço de Bioinformática. A FAO explica que o instituto suíço é especializado na bioinformática, uma nova ciência que usa a tecnologia computadorizada para estudar dados biológicos, incluindo o genoma de vírus, bactérias e fungos que causam doenças. A nova tecnologia ajuda a entender ameaças biológicas, o que facilita a prevenção e a resposta dos países sobre surtos em animais, que no caso da gripe aviária, pode também ser transmitida em humanos.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Pensamentos Internacionalistas: A desconstrução do realismo das RI

Richard K. Ashley é um dos principais nomes da teoria pós-moderna das Relações Internacionais. Possui PhD pelo Massachussets Institute of Technology (MIT). Atualmente é professor na Arizona State Univerity.
Crítico do positivismo das teorias das Relações Internacionais (RI), Ashley afirma que as RI são inseparáveis de suas consequências políticas, que possui o efeito de manutenção das estruturas globais de poder. Ele utiliza conceitos importantes de Foucault, como o de poder e de conhecimento, para desconstruir o realismo das RI, para que as:


 “Práticas possam ser enfrentadas ou desativadas; fronteiras possam ser postas em dúvida e transgredidas; representações possam ser subvertidas, destituídas da sua presunção de auto-evidência, politizadas e historiadas; novas conexões entre diversos elementos culturais possam ser viabilizadas; e novas formas de pensamento e de política global possam ser abertas”.

ASHLEY, Richard K. Unitying the sovereing State: a double reading of the anarchy problematique. IN. Millenium: Journal of International Studies. 1988.


Globalizando: Campanha da ONU Mulheres pede carnaval sem violência feminina

A Organização das Nações Unidas lançou uma campanha contra a violência a mulheres durante o carnaval e de promoção do uso de preservativos. A campanha "Neste carnaval, perca a vergonha, mas não perca o respeito" quer convencer os foliões a evitarem o assédio e a violência durante a festa. A iniciativa pede a todos que vão pular o carnaval que se protejam usando a camisinha nas relações sexuais. Em caso de violência a mulheres no carnaval, a campanha recomenda a ligação para o número 180 para fazer a denúncia.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Globalizando: Ataques contra educação de meninas são cada vez mais comuns

Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas apontou para o aumento dos ataques contra meninas que frequentam a escola. Entre 2009 e 2014, atos violentos ocorreram em pelo menos 70 países, a maioria tendo como alvo garotas, pais ou professores que defendem a igualdade de gênero na educação. O estudo, produzido pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, destaca que apesar de progressos, meninas ainda enfrentam mais obstáculos para ter acesso à educação. 


sábado, 14 de fevereiro de 2015

Programa Globalizando: Os 70 anos de Auschwitz

O Programa Globalizando, da semana passada, teve como tema "Os 70 anos de Auschwitz" e contou com a participação do professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Carlos Augusto Pantoja, que é doutorando em teoria e história da literatura pela Unicamp, mestre em linguística e teoria literária, e coordena o grupo de pesquisa estéticas, performances e hibridismos.

Para ouvir é só clicar na imagem abaixo.




sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A força de atração do Estado Islâmico sobre os jovens ocidentais

Thiago Correa
Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais da Unama

Atualmente, a maior preocupação dos governos ocidentais tem um nome: ISIS. O grupo terrorista islâmico configura, hoje, a principal ameaça à segurança nacional desde o surgimento da Al-Qaeda. Isto se deve ao fato de o Estado Islâmico pregar um novo tipo de terrorismo, sem fronteiras, que seduz e recruta jovens ocidentais, principalmente de religião muçulmana, mas que nem sempre são religiosos ou devotos.
A sedução parte da chamada subcultura – novo termo utilizado para as diferentes tribos formadas por jovens – jihadista, espécie de ideologia muçulmana radical e violenta, a qual tem se expandido pelos guetos europeus como “descolada” e “cool”. Combater essa expansão é o principal desafio desses governos locais.
Na Europa, discute-se a possibilidade de que os jovens estejam desalentados quanto às oportunidades a eles oferecidas, buscando assim, nos grupos extremistas, novas oportunidades e um modelo diferente de vida em sociedade. O especialista em Ciência da Religião Paulo Mendes Pinto, em entrevista concedida ao site Renascença, explica que por mais que os jovens europeus possuam um bom sistema de educação intelectual, os modelos utilizados por este sistema carecem de uma formação de caráter. Segundo ele, a família e as escolas têm sido falhas em transmitir os bons valores aos seus filhos e alunos.
Assim, esses grupos terroristas “atacam” a Europa de maneira sagaz, ao alistar para sua guerrilha filhos de uma sociedade desenvolvida, que alega se basear nos direitos humanos e na paz, mas que falha ao deixar de lado a inclusão racial e religiosa.  Eles, então vingam-se do apoio europeu às ditaduras do Oriente Médio, as quais deixam a região num completo caos.
Por outro lado, as comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo não cansam de expressar repúdio a tais atitudes extremistas, afirmando que estas táticas não condizem com a fé do Islã. A comunidade islâmica da Grã-Bretanha, por exemplo, alega que os familiares têm avisado as autoridades quando descobrem que seus parentes pretendem ingressar ao ISIS.
De fato, o combate à aproximação dos jovens com o terrorismo parece precisar da ajuda de muitos: o Estado Islâmico é muito mais conectado que os outros grupos terroristas. Possuem um grupo de comunicação pela internet, um site na web, uma revista em inglês, e vários de seus membros possuem perfis em redes sociais. O aspecto jovial e moderno dos integrantes do ISIS contribui para criar a imagem de que participar do grupo é algo jovem e descolado. Um dos jovens líderes do ISIS, chamado Islam Yaken, foi apelidado na internet de “Jihadista Hipster”, por causa do cabelo grande e dos óculos grandes.
A Europa já teme o retorno de tais jovens treinados e doutrinados pelos terroristas ao velho continente. E se estes jovens se espalharem pelo mundo? Aí a preocupação adquire dimensões globais. Os Estados Unidos decidiram voltar a combater no Iraque e na Síria após a confirmação de que os recentes êxitos do ISIS atraem um número cada vez maior de norte-americanos à Síria, entre eles mulheres, além de profissionais como médicos, engenheiros, etc.

Por estas e outras razões, o grande medo do ocidente se escancara, armado e ameaçador: e se as grandes cidades ocidentais virarem palco de uma Guerra até há pouco tempo indiferente aos nossos olhos? Isso só confirmaria o que já se tem dito: as fronteiras entre os Estados estão cada vez mais tênues e os inimigos cada vez mais disfarçados na multidão.

REFERÊNCIAS

Globalizando: Dia Internacional do Rádio

A data declarada em 2011 pela UNESCO marca o dia em que a Rádio das Nações Unidas emitiu pela primeira vez, em 1946, um programa em simultâneo para seis países. O rádio acompanhou os principais acontecimentos históricos mundiais e hoje continua a ser um meio de comunicação fundamental. Saiba mais sobre o uso do rádio como instrumento de comunicação internacional amanhã, às 11h, na Rádio UNAMA FM 105.5. 


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Papo de Qualidade - Cooperação Internacional para o Meio Ambiente


Dentre os principais temas de discussão da agenda global contemporânea, o meio ambiente é um dos mais representativos. Para tratar deste assunto tão relevante para as Relações Internacionais, temos hoje, uma entrevista com o Prof. MSc. William Rocha, falando sobre a importância e dificuldades da cooperação internacional para o meio ambiente.


Confira!


Globalizando: Em meio a surto de sarampo nos EUA, OMS defende vacinação

A Organização Mundial da Saúde está fazendo um apelo aos pais para que vacinem suas crianças contra o sarampo nos Estados Unidos. A medida é importante para manter o nível de imunidade alto e assim, conter o surto do vírus e evitar situações semelhantes no futuro. Segundo a OMS, os Estados Unidos enfrentam um surto de sarampo que já contaminou mais de 100 pessoas em várias regiões do país. Nos países em desenvolvimento, vacinar um menor contra o sarampo tem o custo de US$ 1, de acordo com a OMS, sendo uma das mais baratas do sistema de saúde. 


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Desafios do Ministério das Relações Exteriores para 2015: um primeiro olhar

Breno Damasceno
Acadêmico do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA


O novo ministro das Relações Exteriores, o Embaixador Mauro Vieira, terá de enfrentar grandes desafios quanto a política externa brasileira. O Chanceler defendeu um ministério mais atuante e uma “diplomacia de resultados”, principalmente diante do momento desfavorável que a economia Brasileira vem enfrentando. Além disso, terá a tarefa de influenciar, de certo modo, as preferências da presidente Dilma Rousseff, com o intuito de direcioná-la a um desempenho mais profundo para os assuntos internacionais.
Nesse sentido, vale ressaltar que o papel do líder, proposto por Adler (1999), na agenda de novas pesquisas e conceitos construtivistas, é um importante fator de análise da política internacional. A presidente Dilma é constantemente criticada por não dar a atenção devida às relações exteriores brasileira, portanto, esta é uma esfera que o novo ministro terá de recompor.
Diante dos acontecimentos internacionais contemporâneos, como a execução de Marco Archer, na Indonésia, até desafios mais amplos, por exemplo, o desejo brasileiro de uma reforma no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil precisa retomar a credibilidade do interesse pelas relações exteriores que, aparentemente, tem se perdido ao longo dos últimos anos
O novo ministro também deve saber driblar os conflitos existentes entre agentes e estrutura, hoje muito evidentes perante as ações do Estado Islâmico. Esse novo ator internacional tem mostrado o quanto a teoria construtivista tem tido êxito ao levar em consideração as novas “comunidades epistêmicas” que acabam sendo um veículo de premissas teóricas, interpretações e significados coletivos, e que contribuem para o processo de construção da realidade social, criando novas identidades sociais, que segundo Alexander Wendt e Emanuel Adler, são adaptadas e transformadas, juntamente com os processos e com as necessidades da política internacional.
Neste novo ambiente conflituoso, seja por questões internas – por conta dos poucos investimentos nos setores do Itamaraty – ou por assuntos complexos envolvendo nosso país – diretamente ou não – percebemos que o Embaixador, Mauro Vieira terá muitas questões a resolver, porém deve manter um olhar cauteloso, pois sabe que as necessidades de um novo ordenamento na imagem da diplomacia brasileira é necessário.
Em uma indicação do que será feito na diplomacia brasileira no segundo mandato da atual presidente, o Chanceler proferiu que o tom será “comercial”, ou seja, a prioridade do Itamaraty será ampliar o mercado e captar mais investimentos para o Brasil.

REFERÊNCIAS
ADLER, Emanuel. O construtivismo no estudo das relações internacionais. Lua Nova [online], n.47, pp. 201-246. 1999.
NOGUEIRA, João Pontes; MESSARI, Nizar. Teoria das Relações Internacionais: correntes e debates. Rio de Janeiro, Elsevier. 2005.
PASSARINHO, Nathalia. Ministro das Relações Exteriores prega ‘diplomacia de resultados’. Disponível em: http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/01/ministro-das-relacoes-exteriores-prega-diplomacia-de-resultados.html. Acesso em: 07 de fev. 2015.

SCHREIBER, Mariana. Novo ministro terá difícil missão de recuperar prestígio do Itamaraty. Disponível em: <http://www.bbc.uk/portuguese/noticias/2014/12/141231_novo_chanceler_mauro_vieira_ms_lgb>. Acesso em: 07 de fev. 2015.

Globalizando: Relatório da ONU pede atenção a águas residuais na agenda pós-2015

De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas, apenas 20% das águas residuais em todo o mundo são tratadas no momento, entre elas, as de esgoto. Países de baixa renda são os mais atingidos por água contaminada e doenças. O relatório foi produzido pela Organização Mundial da Saúde, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela ONU-Habitat, em nome da ONU-Água. O documento encoraja governos que vejam águas usadas como um recurso valioso e uma prioridade para a agenda de desenvolvimento pós-2015.




terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Pensamentos Internacionalistas: Der Derian e o Pós-Modernismo

James Arthur Der Derian (1955) é um teórico pós-moderno, doutor em Relações Internacionais (RI) pela Balliol College, na Universidade de Oxford, onde teve como supervisor, o professor e teórico Hedley Bull. Atualmente é professor da Universidade de Brown, onde fundou o “Global Media Project” e o “Information Technology, War and Peace Project”.
Assim como os teóricos pós-modernos, ele questiona a realidade dada pelo maisntream das RI. Der Derian possui diversas obras, dentre elas as que tratam o terrorismo e as guerras travadas pós-11 de setembro.
Nestes textos ele utiliza o conceito de “hiper-realidade” de Baudrillard, elucida sobre as infoguerras e uma emergente matriz heteropolar (atores internacionais que possuem identidades e interesses opostos, mas possuem ampla capacidades de produzir efeitos globais).


“Ao criar novas interpretações do mundo-texto, ao questionar as construções historicamente determinadas de conhecer, poderemos acrescentar novas dimensões e alternativas à teoria internacional tradicional”.


DER DERIAN, J. The Boundaries of Knowledge and Power in International Relations, p. 3-10. In: International/Intertextual Relations: Postmodern Readings in World Politics. Lexington: Lexington Books, 1989.

Globalizando: Comitê quer mais atenção com vítimas da violência na Colômbia

A Comissão da ONU sobre os Direitos da Criança divulgou relatório sobre 12 países, incluindo Colômbia e Uruguai.  Sobre a Colômbia, foram mencionados os avanços alcançados pelo país, a Comissão saudou a adoção de algumas medidas, como o plano estratégico para eliminar a transmição do HIV/Aids entre mãe e bebê. O relatório menciona ações que considera positivas do Estado, mas nota preocupação em algumas áreas. Entre elas, casos de exploração sexual e o fato de que 20% das crianças ainda vivam na pobreza, particularmente as afrodescendentes. 


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Para que Auschwitz não seja esquecido


Bianka Neves
Acadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais

Há exatos 70 anos, as tropas do 59º e 60º exércitos do 1º Front Ucraniano, sob o comando de marechal Konev, e do 38º exército do 4º Front Ucraniano, do coronel-general Petrov, libertaram os prisioneiros de Auschwitz. Este campo viu mais de 1,1 milhão de pessoas serem assassinadas, na maior parte judeus, mas também outros povos, como os ciganos, que também eram considerados indignos pelo nazi-fascismo.
Embora existissem outros campos, como Ravensbrück, Dachau, Buchenwald e Mauthausen, Auschwitz é o mais lembrado, por conta do tempo, que em seu curto percurso, conseguiu ser mais atroz em Birkenau do que nos outros lugares.
As atrocidades eram desmedidas mesmo sem a execução, a exploração total da mão-de-obra desses prisioneiros deixaria marcas profundas e irreversíveis. Esses complexos eram feitos também para gerar o máximo de lucro possível, até mesmo com os dentes de ouro, cabelos e a própria pele humana. Tudo era transformado em dinheiro para o financiamento daquela guerra. A prova disto é a própria estrutura de Auschwitz, por exemplo.

Em Auschwitz I, eram encarcerados apenas os presos políticos. Já em Auschwitz II, encontravam-se as barracas dos prisioneiros “impuros”, bem como, as câmaras de gás e os crematórios. E em Auschwitz III encontravam-se as indústrias, como a I.G Farben, a empresa que produzia o gás Zylon-B, que era usado nas câmaras de gás. Além dos próprios resquícios, imortalizados até hoje no Museu, daquilo que retiravam dos judeus, como seus sapatos e cabelos.
É interessante ressaltar que mesmo após a libertação do campo, houve relutância em se admitir que havia acontecido um genocídio naquele lugar. Mesmo aqueles que moravam próximos à Oswiecim, nome original polonês de Auschwitz, diziam jamais ter sentido cheiro algum incomum e forte, bem como nenhum resquício de fumaças pretas no ar. Era difícil acreditar onde a atrocidade humana havia chegado.
Então, o Holocausto só foi verdadeiramente reconhecido quando os processos de Auschwitz, realizados em Frankfurt entre 1963 e 1965 começaram. E, com isto, as reproduções do caos passaram a se tornar presentes, e em certa medida, necessárias. Para que as gerações novas soubessem o que havia ocorrido ali de forma brutal e como aquilo jamais deveria ocorrer novamente, já que, como mencionado, houve um tempo em que se preferiu “esquecer”, ou ainda, “não acreditar” no que havia se passado na Alemanha.
Portanto, estes 70 anos marcam muito mais do que a libertação daqueles sobreviventes, mas a memória viva de onde o ser humano pode chegar, e de que tamanha barbárie deve ser evitada e combatida. Seja através de programas de formação de policiais para identificar e combater crimes de ódio, como atualmente são oferecidos em Oswiecin, bem como eventos internacionais relembrando a data, como à ocorrida no último dia 27 de janeiro deste ano, nas terras de Auschwitz II, reunindo milhares de sobreviventes octogenários, líderes de Estado e entre outras personalidades internacionais. Os discursos ali proferidos foram marcados pelo apelo de que a nova geração jamais se esqueça de Auschwitz e dos horrores da guerra.
Outro ponto marcante do evento, e em certa medida contraditória, foi a ausência do presidente russo Vladimir Putin, que embora tenha enviado seu chefe de gabinete, Serguei Ivanov, causou certa tensão entre os líderes de Estado, tendo em vista, as medidas políticas que o país tem adotado e a própria guerra civil na Ucrânia, por conta dos separatistas. Sua ausência, então, sucinta contraditoriamente a celebração da libertação do extremismo do nazi-fascismo, e ainda vai além, pairando a dúvida de quanto tênue seria a linha extremista que marca a guerra civil na Ucrânia e o que o que estava sendo combatido naquele evento.


REFERÊNCIAS
BRASIL, BBC. Infográfico Interativo: a vida na cidade que abrigava Auschwitz. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150127_clicavel_auschwitz_lab. Acesso em 07 de fevereiro de 2015.
HOFMANN, Sarah. Auschwitz sintetiza horror de Holocausto em uma palavra. Deustch Welle. Disponível em: http://www.dw.de/auschwitz-sintetiza-horror-do-holocausto-em-uma-palavra/a-18217169. Acesso em: 07 de fevereiro de 2015.
KOROLKOV, Aleksandr. Os 70 anos de libertação dos prisioneiros de Auschwitz. Gazeta Russa. Disponível em: http://br.rbth.com/arte/2015/01/27/auschwitz_o_dia_da_libertacao_29185.html. Acesso em: 07 de fevereiro de 2015.

WELLE, Deustch. Em Auschwitz, apelos para que o Holocausto não seja esquecido. Disponível em: http://www.dw.de/em-auschwitz-apelos-para-que-o-holocausto-n%C3%A3o-seja-esquecido/a-18219944. Acesso em: 08 de fevereiro de 2015.

Globalizando: UNESCO incentiva mais educação física nas escolas

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura alertou que crianças e adultos em todo o mundo estão realizando cada vez menos atividades físicas. Segundo a UNESCO, essa tendência tem sérios riscos para a saúde e para a expectativa de vida e também no desempenho das crianças nas salas de aula e dos adultos no trabalho e na sociedade. Para a sociedade colher os benefícios de uma educação física de qualidade é preciso implementar a prática para meninas e meninos, e para jovens, de uma forma geral, dentro e fora das escolas. 


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Dicas de Filmes

NIGHT WILL FALL (2014):

O DOCUMENTÁRIO INÉDITO CONTÉM IMAGENS OBTIDAS PELOS SOLDADOS ALIADOS, RECOLHIDAS COM O PROPÓSITO DE REGISTAR PARA A POSTERIDADE TODO O HORROR ESPALHADO PELOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTAS. 

A VIDA É BELA (1997):

O LONGA CONTA A EMOCIONANTE HISTÓRIA DE UM JUDEU QUE É PRESO EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO JUNTO COM SEU FILHO PEQUENO E FAZ COM QUE O MENINO ACREDITE QUE ELES ESTÃO EM UM JOGO, PARA POUPÁ-LO DO SOFRIMENTO.

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO (2008):


O FILME COM A HISTÓRIA DE UM GAROTO, FILHO DE UM OFICIAL NAZISTA, QUE AO SE MUDAR PARA UMA REGIÃO ISOLADA, ACABA CONHECENDO OUTRO GAROTO DE IDADE PRÓXIMA QUE SEMPRE ESTAVA COM UM “PIJAMA LISTRADO” E VIVIA DO OUTRO LADO DE UMA CERCA ELETRIFICADA. A AMIZADE CRESCE COM O PASSAR DOS ANOS E A RELAÇÃO VAI SE TORNANDO CADA VEZ MAIS PERIGOSA 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Um Dia Para Lembrar Que Mulher Deve Ser Respeitada Todos os Dias

Kellimeire Campos
Acadêmica do 8º semestre de Relações Internacionais da Unama


“Devemos lutar para preservar o melhor de cada cultura e deixar para trás o que não é bom.
Não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher. Embora alguns argumentem que é uma ‘tradição’, devemos lembrar que a escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram defendidas com o mesmo argumento”.
Ban Ki-moon, Secretário-geral da ONU.

No dia 20 de dezembro de 2012 foi aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a resolução que instituiu o dia 6 de fevereiro, como o dia internacional da tolerância zero à mutilação genital feminina.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mutilação genital feminina (FGM, sigla em inglês) compreende todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos ou quaisquer danos infligidos aos órgãos genitais femininos por motivos não médicos, sendo uma violação dos direitos humanos.
A OMS estima que a FGM teve sua origem na antiga civilização egípcia, e que mais de 125 milhões de meninas e mulheres tenham sido mutiladas em 29 países na África e no Oriente Médio, que é onde se tem dados disponíveis.
A faixa etária em que quase sempre é feita a FGM varia entre os 0 a 15 anos, mas mulheres adultas e casadas também estão sujeitas à prática. Existem várias motivações culturais e religiosas[1] para que esta prática continue sendo realizada em algumas sociedades. A exemplo disso, existe a crença de que essa assegura e preserva a virgindade de meninas e mulheres, assegura a fidelidade conjugal, e está relacionada com a imagem de mulheres “limpas” e belas.
As consequências da FGM são físicas e psicológicas, se iniciam no exato momento em que é feita a mutilação e segue pelo resto da vida dessas meninas e mulheres.
Os efeitos imediatos costumam ser as infecções e as hemorragias, que tem seu nível de gravidade aumentando de acordo com extensão da intervenção, que colocam em risco a vida destas pessoas. As sequelas também podem ser a infertilidade, problemas durante o parto, e como em quase todos os casos, fortes dores durante o ato sexual.
As sequelas psicológicas resultam da perpetuação de uma cultura de opressão das mulheres em todos os seguimentos de sua vida, inclusive na sua intimidade, e são ainda mais variadas que as físicas.
Após explicar, ainda que de modo simples, um problema que possui muitos detalhes e que provocam impactos intensos em vidas humanas, este texto propõe iniciar uma reflexão (que quase sempre beira o questionamento do universalismo dos direitos humanos e o entrave da soberania dos Estados), através de uma breve analise que será feita utilizando como ferramenta a teoria pós-moderna.
Para esta teoria, os conceitos de Poder e Estado não possuem o mesmo tratamento dado pelas teorias positivistas das Relações Internacionais (RI). O poder não é algo que é passível de posse, o poder se exerce e só existe em ação, sendo uma relação de força.
Neste contexto, o Estado não é o centro irradiador de poder, mas uma de suas diferentes manifestações. Para Foucault, “o Estado nada mais é do que um efeito”, logo não é um objeto previamente dado, mas o resultado de contingências que o antecederam.
 O Estado como conhecemos hoje passou por um longo processo de governamentalização, cujo domínio deixou de ser a territorialidade, e tornou-se a população. Assim este tipo de governo é exercido através da interseção do legislativo, com as práticas disciplinares e os mecanismos de segurança.
No que tange a FGM ocorre um processo de objetificação entre as pessoas das comunidades que praticam a mutilação, no qual as mulheres se tornam objetos que, ao não seguirem os padrões aplicados, não são aptas a participarem de convenções sociais entre aqueles sujeitos.
Fica evidenciado também a relação de poder entre diferentes agentes internacionais. A FGM tornou-se atenção mundial através da história da modelo somali, Waris Dirie, que foi mutilada ainda criança, com treze anos fugiu de seu casamento arranjado e trabalhou durante anos em Londres, até que foi descoberta por um fotógrafo e, assim, iniciou sua carreira internacional.
Dirie falou sobre sua experiência traumática em uma entrevista, e após isso, contou sua história em seu livro “Desert Flower” (que foi adaptado para filme), iniciando sua luta contra a prática da FGM. Ela foi nomeada embaixadora especial da ONU sobre os direitos das mulheres na África e criou a ONG Desert Flower que luta para extinção da FMG.
Em relação aos Estados eles também utilizam de seu poder disciplinar para eliminar esta prática. Foi o que aconteceu na Etiópia, onde um grupo de pessoas foram julgadas e penalizadas por terem praticado a FMG. E países como a Uganda, o Quênia e Guiné-Bissau também criaram leis com a finalidade de terminar com esta prática.
A FMG está passando a ser uma grave violação dos direitos de meninas e mulheres, para quem olha de dentro das comunidades que a praticam. Apesar disso, no ano passado a ONU declarou que se os números de casos continuassem como estavam, cerca de 86 milhões de meninas em todo o mundo ainda estariam sujeitas a sofrer a prática até 2030.

REFERÊNCIAS
Eliminação da mutilação genital feminina - Declaração Conjunta: OHCHR, ONUSIDA, PNUD, UNECA, UNESCO, UNFPA, ACNUR, UNICEF, UNIFEM, OMS. Disponível em: http://www.apf.pt/cms/files/conteudos/file/Livraria%20virtual/Eliminacao%20da%20MGF.pdf
Preserve o melhor da cultura e deixe para trás o que não é bom’, diz secretário-geral da ONU sobre mutilação genital feminina. Disponível em: http://unicrio.org.br/preserve-o-melhor-da-cultura-e-deixe-para-tras-o-que-nao-e-bom-diz-secretario-geral-da-onu-sobre-mutilacao-genital-feminina/



[1] Sobre as motivações religiosas a OMS e a UNFPA (United Nations Population Fund) elucidam que a FGM ocorre entre cristãos, judeus e muçulmanos, mas que nenhum de seus textos sagrados prescrevem essa prática.