quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Uma base teórica para compreender as manifestações populares: “Indignais-vos” de Stephane Hessel.



Ana Beatriz Nascimento

Acadêmica do 6º semestre

Transformações sociais e políticas são um dos principais marcos dos anos 2000, tendo disparado em número e causas a partir da primavera árabe que teve início em 2010, motivando e encorajando diversos tipos de protestos mundo a fora. O movimento “Occupy”, inspirado nos protesto da Praça Tahrir no Cairo, ocorreu em Wall Street em Nova Iorque, reivindicando o fim da corrupção no sistema financeiro americano, maior igualdade social e econômica para o povo e denunciando influências indevidas do setor financeiro sobre o governo estadunidense. O movimento teve repercussões no Brasil, Londres, Espanha e em outras partes da Europa.

Apesar de ser um movimento amplamente conhecido nas mídias internacionais, poucos sabem que um dos impulsores da ideia do movimento “Occupy” veio de um pequeno livro chamado “Indignai-vos!”, escrito por Stephane Hessel, um diplomata franco-alemão que participou da resistência francesa durante a ocupação alemã durante a Segunda Guerra e, mais tarde, focou seus estudos nas desigualdades econômicas mundiais, nos conflitos Israel-Palestina, nos Direitos Humanos e na divisão social e política ocorrida após a Segunda Guerra Mundial.

O livreto “Indignai-vos!” já vendeu mais de 4 milhões de cópias no mundo, e apesar de curto, aborda temas centrais sobre as mudanças sociais e políticas necessárias para um mundo mais justo bem como a indignação do povo. Hessel ratifica a indignação individual contra o Estado, e o coletivo dos diversos motivos criaria os movimentos de resistência pela responsabilidade econômica, política e social.

A não violência também é discutida em seu livro, como o meio mais eficaz de protestar, com a conciliação de diferentes culturas e objetivos, como uma forma de cessar o ciclo da violência contra violência que ocorre em muitos protestos, segundo Hessel, “dizer para si mesmo “a violência não é eficaz” é muito mais importante do que saber se devemos ou não condenar os que a ela se dedicam.”

Hessel dedica parte de sua análise aos dois novos desafios do séc. XXI. O primeiro, combater a injustiça e privação de direitos básicos como alimentação e educação às regiões da África, Ásia e principalmente ao Haiti, locais isolados dos benefícios da mundialização, alimentados pelo ódio e pobreza – que gera a violência intrínseca à realidade daquele local.

 O segundo desafio discutido são as constantes violações ás liberdades e direitos fundamentais – liberdade de expressão, liberdade de viver sem medo. Citando Franklin Roosevelt, estas liberdades são “tão necessárias à humanidade como o ar, o sol, o pão e o sal”, ou seja, utilizar-se da ética, da moral e da política para garantir os direitos coletivos e individuais. Sobre todos os problemas mundiais existentes, Hessel propõe a mudança inicial através de manifestações e organizações coletivas nos moldes das Nações Unidas, em sua opinião, a instituição da dignidade da pessoa humana.

Para aqueles que farão o séc. XXI, Hessel deixa sua mensagem final. “Criar é resistir. Resistir é criar.”



O livreto em português pode ser encontrado on-line no seguinte link:

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