domingo, 8 de dezembro de 2013

Resenha: Battlestar Galactica

Danilo Ebúrneo
Acadêmico do 5º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA.




Série: Battlestar Galactica
Estreia: 2004
Duração padrão de cada episódio: 55min
Canal: Sci-Fi



Devo reconhecer que desde que fui convidado a escrever resenhas para este blog de Relações Internacionais da Unama, a primeira coisa que me veio na mente foi Battlestar Galactica. Claro que inicialmente nem poderia escrever sobre, porque o foco eram filmes, mas eu iria dar um jeito de adicionar novas mídias par compartilhar com todos vocês, queridos leitores. E realmente, dei um jeito! E agora posso escrever sobre essa magnifica obra.
Sei que muitas pessoas que não estão habituadas com o assunto de ficção científica acham que tudo é pura bobagem, onde vemos monstros grandes, pessoas de pele azul etc. Mas o fato é que as ficções científicas são as obras que mais abordam os problemas sociais e políticos. E o melhor: São essas obras que fazem a melhor crítica, com uma visão mais avançada que qualquer filme dito “realista”. Um exemplo é Star Trek, que na década de 80 foi um dos primeiros a abordar inclusive a homossexualidade na TV, algo incomum nessa época. A série de filmes Star Wars também abordava a política de forma interessante. Então como estamos já situados no assunto, vamos à série...
Battestar Galactica é uma série que estreou em 2004 no canal Sci-Fi, sendo remake da série homônima de 1978, mas com uma abordagem mais atual e diversas mudanças no enredo.
 A premissa é relativamente simples de entender: Existem 12 planetas em que os seres humanos habitam, conhecidos como as 12 tribos de Kobol. Elas foram destruídas por um ataque nuclear feito pelos Cylons, robôs criados pelo homem no passado que acabaram se rebelando, e voltando com a aparência exata dos serem humanos, inclusive na estrutura corporal óssea.

A partir desse momento, a série acompanha a trajetória dos únicos 47.962 seres humanos que restaram do holocausto, vagando pelo espaço em busca de um novo planeta que pudesse ser o “nosso” novo lar.


A genialidade do roteiro de Ronald. D Moore se desenvolve através da relação entre os seres humanos, mostrando toda a insegurança que temos, e cada personagem representa cada um de nós em formas e situações mais extremas. Nesta situação que podemos ver de forma escrachada as Relações Internacionais transbordando em quase todo episódio.
Ora, as 12 tribos eram 12 países. Cada um com sua cultura, formas políticas e leis. A partir do momento em que Kobol se extingue, e cada nave no espaço representa cada um deles ao redor da nave que representa a lei máxima (A Galactica), simplesmente estamos lidando diretamente com RI.
A Visão política da Galactica se divide entre o paradigma Realista, representado pelo Capitão Adama (Edward James Olmos), que tem como prioridade a segurança de todas as naves (estados), para proteger todos os seres humanos de possíveis ataques Cylons que podem acontecer a qualquer momento. Do outro lado, podemos ver a presidente Laura Roslin (Mary Macdonnell), uma mulher com um pensamento Idealista que é extremamente religiosa e acredita nos deuses, e na lenda que há uma planeta perfeito chamado Terra.
E dentro desse já instável jogo de poder, ainda temos revoluções políticas em estados diferentes, já que alguns são contra a religião e outros querem tomar o poder (Anarquia representada) já que não querem ficar andando no espaço, para lugar nenhum, e querem se estabelecer em algum planeta habitável. E é nessas situações que os episódios acontecem. Como por exemplo, quando há a suspeita de um infiltrado Cylons na nave (Abordando o terrorismo, já que Ronald D. Moore reconheceu que se inspirou nos atentados de 11 de setembro para escrever algumas tramas) e era necessário recolher exames de sangue e fazer transfusões para saber quem era o infiltrado, já que a olho nu seria impossível. Só que uma das naves que estavam sendo representadas por um estado de Kobol, não poderia retirar e nem fazer transfusão de sangue, já que a religião deles não permitia (Fazendo uma sábia alusão aos Testemunhas de Jeová) o que gerou conflitos entre eles. Será que a religião deve ser respeitada quando a segurança de todos está em jogo?  Isso é apenas um exemplo de como a série aborda problemas sociais dos dias de hoje. É simplesmente FANTÁSTICO!
E se você ainda tem dúvidas sobre como Battlestar aborda o nosso curso de forma tão competente, observe a foto abaixo:


Sim, queridos leitores, é parte do elenco da série dando uma palestra na ONU! E ai? Estão convencidos a ver?
Battlestar Galactica foi considerado por muitos a melhor serie dos últimos 10 anos, trazendo sempre questões inteligentes e claro, como muitas reviravoltas no enredo. (Minha cabeça “explodiu” diversas vezes com as reviravoltas da série) e muita ação, como uma boa ficção científica necessita.
 Com um elenco e personagens maravilhosos (James Olmos fazendo um grande papel na pele do General Adama, Tricia Helfer também ótima no papel da enigmática Number Six e claro, James Callis, fantástico na pele do melhor personagem que eu já presenciei em uma serie: Dr. Gaius Baltar), esta série é sem dúvida a melhor recomendação que fiz até agora no blog.
Se você não viajar nas férias, recomendo uma maratona da série. Tenho certeza que a viagem vai ser muito melhor do que a que você provavelmente iria fazer. SO SAY WE ALL!
Até a próxima!

Um comentário:

  1. Texto extremamente interessante, criativo e inteligente.
    Já pensou em fazer TCC nessa linha de pesquisa?
    O mundo precisa de internacionalistas corajosos e ousados, vá em frente ;)

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