segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Ucrânia: as relações com a União Europeia e a Rússia e o jogo de influências

Moises Gadelha
Acadêmico do 6º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA


  
A Ucrânia ressurge no cenário internacional como um Estado central no “cabo de guerra” entre ocidente e oriente, tendo de um lado a União Europeia (UE) e do outro a Rússia. Há alguns anos a UE estuda incluir a Ucrânia na dinâmica do bloco econômico. Após a negativa por parte do governo ucraniano pela adesão à proposta europeia, e a sua reaproximação às órbitas de negociações da Rússia, ainda em Novembro, desencadeou-se uma série de protestos por uma parcela da população do país que não aceitou o posicionamento de seu governo.
Para entendermos um pouco mais do processo que se firma no eixo euro-asiático se faz interessante analisar o histórico da Ucrânia, bem como, do jogo de interesses e das influências sobre a região por parte de europeus e russos.
Se considerarmos as primeiras décadas do século XX o país esteve por muitas vezes dividido, e ao fim da Guerra Polaco-Soviética (1921), tinha sua região ocidental anexada à Polônia e a central-oriental (maior território) sendo parte de uma das repúblicas que aderiram à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
Ao término da Segunda Guerra mundial, a maior parte do território antes anexado a Polônia já estava sob controle novamente de Kiev, capital ucraniana. Sem desconsiderarmos o avanço tecnológico do país às orbitas do socialismo soviético, devemos lembrar da usina nuclear de Chernobyl, que foi alvo de uma das maiores catástrofes da história. No entanto, desde sua independência, em 1991, a Ucrânia voltou a ser objeto de interesse de Russos e europeus.

Reforçando a importância atual da Ucrânia neste contexto, deve-se observar a tentativa da União Europeia em aumentar sua abrangência territorial, avançando ao Oriente e, principalmente, buscando alcançar as antigas repúblicas soviéticas, neutralizando a influência russa na região. Por outro lado, a Rússia, principal Estado dentre as ex-repúblicas da URSS, busca manter essa influência “herdada” e não se ver ainda mais “ilhada” por países fora de sua órbita de interesses. Ainda além, não podemos deixar de citar o apoio que os Estados Unidos têm destacado aos protestos dos ucranianos pela adesão ao bloco europeu, deixando os russos ainda mais atentos ao desencadear desse movimento.
Analisando internamente, as influências externas que têm levado esse jogo de forças aos ucranianos, notamos que grande parte dos cidadãos que protestam contra a posição do governo, e, consequentemente, anseiam pela adesão à União Europeia, se concentram na capital, Kiev, e na parte leste do país. Enquanto isso, cidades importantes no lado oeste apoiam ao governo numa reafirmação das relações com a Rússia, baseadas principalmente na parceria comercial que estes representam. Os russos são os principais exportadores de gás para a Ucrânia e em contrapartida representam uma boa parte das importações dos produtos ucranianos.


Observando as decisões que se tomam neste jogo de influências, podemos considerar este momento como importante não só para a União Europeia e Rússia, mas, principalmente, para a Ucrânia que ao manter o diálogo com os dois lados pode ter suas possibilidades de maiores ganhos. Mas, para isso, precisa acalmar os conflitos entre governo e população, para que mantenha pequena a possibilidade de uma ruptura interna na Ucrânia, ocasionada por atores externos e levando o país a um colapso ainda maior.

Referências Bibliográficas:
Veja. Por que UE e Rússia querem tanto a Ucrânia. Visualizado em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/por-que-ue-e-russia-querem-tanto-a-ucrania--2
Blog Ucrânia Online. História da Ucrânia. Visualizado em: http://ucraniaonline.blogspot.com/2009/05/historia-da-ucrania.html

Veja. Ucrânia – Um país com um histórico de tragédias. Visualizado em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/ucrania-um-pais-com-um-historico-de-tragedias

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