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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Dia Internacional da Luta contra a AIDS

Matheus Fernandes Santos
Acadêmico do 1º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA


       Com o intuito de conscientizar a população na luta contra o preconceito e a consequente discriminação social de indivíduos portadores da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), em 1987, a Assembleia Mundial da Saúde em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), estabeleceram o dia 1º de Dezembro como o Dia Mundial da Luta Contra a Aids.

            Em síntese, apesar das controvérsias científicas a respeito do desenvolvimento e propagação dessa doença, no Brasil, ela teve seu início na década de 80, configurando-se como uma chaga social iminente que colocava em xeque diversos âmbitos da sociedade. Tal situação abalou, dessa forma, os avanços técnicos-científicos da época e impôs o medo entre a massa populacional precariamente desinformada sobre as reais implicações oriundas da contaminação com o vírus HIV.

            Com isso, nesse período conturbado onde a insegurança social predominava, a ausência de políticas públicas quanto a disseminação de informações cientificas necessárias que conscientizassem a população a respeito dessa doença, teve como consequência direta sobre os indivíduos infectados o aumento do preconceito e da discriminação. Isto levantou discussões ferrenhas quanto à ética e à funcionalidade dos direitos humanos.


De fato, muitas outras mazelas sociais provocadas pelo desencadeamento de conceitos estereotipados sobre a contaminação e propagação do vírus HIV ainda influenciam o comportamento atual da população. Contudo, a constante cooperação internacional entre países desenvolvidos, principalmente com recursos financeiros, têm contribuído cada vez mais para uma gradativa mudança na situação de Estados subdesenvolvidos que, nesse caso, podem ser assolados por essa doença. O objetivo é financiar a distribuição de medicamentos e proporcionar o aprofundamento em pesquisas cientificas a fim de encontrar mecanismos que controlem a epidemia.

No âmbito das Organizações Internacionais, O UNAIDS, Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids, estabelecido em 1994 através do ECOSOC – Conselho Econômico Social da ONU e colocado em prática em Janeiro de 1996, o programa veio para buscar a cooperação entre países – onde o sistema internacional é cada vez mais interdependente e complexo com suas vulnerabilidades e sensibilidades - de uma maneira mais incisiva. Tal programa coloca no eixo o acesso a informações relevantes para a solução de tratamentos, prevenção e nos demais assuntos que circulam contra a AIDS.

Em suma, os estreitamentos das relações entre os Estados juntamente com participações de ONGs através de acordos de cooperação multilaterais têm proporcionado diversos avanços no combate a propagação e disseminação da Aids. Ainda que não exista nenhum medicamento de cura identificado pela comunidade científica, é válido ressaltar que, o melhor método de preservação disponível atualmente é: o direito à informação.

REFERÊNCIAS

VANESSA, Ma. dos Santos. 1º de Dezembro — Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Disponível em: <http://www.brasilescola.com/datas-comemorativas/dia-mundial-prevencao-contra-aids.htm> Acesso em: 29/11/2014.
GRECO, B. Dirceu. A epidemia da Aids: impacto social, científico, econômico e perspectivas. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142008000300006&script=sci_arttext> Acesso em: 29/11/2014.
Boa Saúde. Histórico da AIDS: Uma História de Lutas, Decepções, Guerra de Vaidades e Coragem. Disponível em: <http://www.boasaude.com.br/artigos-de-saude/3838/-1/historico-da-aids-uma-historia-de-lutas-decepcoes-guerra-de-vaidades-e-coragem.html> Acesso em: 29/11/2014.
Quem somos. Site da UNAIDS Brasil. Disponível em: <http://www.unaids.org.br/quem_somos/quem_unaids.asp> Acesso em 29/11/2014.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

O avanço tecnológico nos meios de comunicação: avanços ou retrocessos?

Paulo Victor Silva Rodrigues
Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais da Unama

            Os recursos tecnológicos estão presentes em nosso cotidiano, seja no simples ato de apertar o interruptor para acender uma lâmpada até fazer uma ligação pelo celular ou uma videoconferência com pessoas em outros países. Assim, hoje, dificilmente podemos ficar sem tecnologia. No campo das relações internacionais a mesma se faz presente e tem relevância, uma vez que por meio da internet é possível mobilizar multidões e desencadear manifestações, como também, travar um conflito intra ou interestatal com auxilio de sistemas avançados e tudo isso ser visto ao vivo por milhares ao redor do mundo através das redes de televisão.
            A rede mundial de computadores, a Internet, surgiu em âmbito militar, na Guerra Fria, como meio de comunicação entre as forças armadas norte-americanas, além de ser utilizado na área acadêmica, em especial nos EUA, possibilitando professores e alunos trocarem mensagens e ideias. Anos se passaram e atualmente usamos a mesma para os mais diversos fins, como as redes sociais. Estas são muito populares por possibilitarem interagir e mobilizar um enorme número de pessoas, um exemplo disso seria a Primavera Árabe.
            Em 2010, iniciou-se na Tunísia uma onda de manifestações que se espalharam rapidamente para outros países no Oriente Médio e Norte da África. Os protestos eclodiram em países com regime de governo não democrático e ganharam força graças às redes sociais, levando, como no caso da Líbia, a conflitos armados contra o governo. Posteriormente, estes resultaram na morte do ditador líbio, Muammar Al-Gaddafi, dando a possibilidade de uma transição de regime, isto é, para o país se tornar uma República Parlamentarista. Portanto, a internet foi uma ferramenta vital e dessa maneira ditaduras chegaram ao fim naquela parte do mundo.
           
Ademais, a tecnologia também está em cenários de conflitos, como nos que os EUA travaram no Afeganistão e Iraque. Os avanços na área militar possibilitam que as guerras sejam cada vez mais precisas, através de computadores que simulam se as estratégias terão êxito no campo de batalha. Sarfati (2005, p. 245) ao citar Derian diz que “[...] o baixo número de baixas entre as tropas norte-americanas em combate nas últimas guerras [...] versus o relativo alto número de baixas entre combatentes e não-combatentes do lado inimigo está associado ao tipo de guerra de precisão que se trava hoje em dia[...]”

            O autor ainda cita Baudrillard ao dizer que “a condição humana é caracterizada pelo conceito de hiper-realidade, na qual a mídia forma e representa a realidade social. Na hiper-realidade, ninguém consegue discernir se são soldados morrendo em um jogo de computador ou se são pessoas reais que estão morrendo” (SARFATI, 2005, p. 245). Todavia, as guerras no período atual são cada vez mais planejadas e travadas com o uso de aparato tecnológico desenvolvido para o setor de militar, consequentemente, matando pessoas à distância como se fosse um jogo de computador, por exemplo: o jogo de guerra Internal Look 2002 serviu para preparar soldados para a Guerra do Iraque.

            Neste contexto, as mídias televisivas se destacam, haja vista que por meio destas os telespectadores podem acompanhar em tempo real os desdobramentos dos conflitos. “Para Der Derian, a guerra moderna norte-americana é caracterizada pelo que ele chama de rede-miltar-industrial-mídia-entretenimento [...]” (DERIAN apud SARFATI, 2005, p. 246). Assim, coberturas grandiosas são montadas pelas emissoras, as quais mantêm contato com os militares e até utilizam ex-militares para comentar sobre o conflito.
            Por fim, através das informações mostradas ao longo do texto, nota-se que a tecnologia é algo indispensável por estar intrinsecamente relacionada com vários setores. Os avanços tecnológicos possibilitaram a humanidade alcançar vários objetivos, mostrando o quanto estes recursos são poderosos, como ajudar países controlados por ditadores a, ao menos tentar, mudar para um regime democrático. Por outro lado, percebemos o quão destrutivos podem os conflitos se tornarem quando a alta tecnologia é empregada. Além de transformar todo esse cenário em pano de fundo para transmissões de TV’s internacionais.
            Todo esse avanço na tecnologia seria, na sua opinião, positivo ou negativo? 
           
REFERÊNCIAS:

·         SARFATI, Gilberto. Teorias de Relações Internacionais. São Paulo – Saraiva: 2005.

sábado, 26 de abril de 2014

City in Cloud

Fernando Moreira
Acadêmico do 5º semestre de Relações Internacionais da Unama

 O desenvolvimento do processo tecnológico encontra-se em Lyotard que diz "parece que a incidência destas informações tecnológicas sobre o saber deva ser considerável. Ele é ou será afetado em suas principais funções: a pesquisa é ou será afetada em duas principais funções: a pesquisa e a transmissão de conhecimentos."

Estamos vivendo a maior onda dos últimos séculos, a computação em nuvem. Ela se espalha por todos os lados. Isso se dá pela sua forma de se fazer e pensar, que é evolutiva. E cresceu tanto que se tornou um mercado. Em 2011 gerou 40 bilhões de dólares e a estimativa é que em 2020 movimente cerca de 241 bilhões de dólares.
Cerca de 74% das empresas no mundo utilizam algum serviço em nuvem, o Cloud computing. Este é o armazenamento de dados compartilhados na rede, ou seja, servidores nas nuvens. Um termo chave para ele é o de "armazenamento de dados", que se refere a informações, as quais podemos distinguir em informações públicas e privadas.
Como afirma Toffler (1998), “o conhecimento e a informação são geradores de riqueza na nova conjuntura da tecnologia”. Podemos defini-la com base em lucros através da produção e também como forma de poder, onde se pode ver as informações confidenciais de um civil também como uma forma de expressar o poder.
Uma das funcionalidades da nuvem é o armazenamento de dados que encontramos em estrutura, a Iaas (Infrascture as a Service). Ela refere-se a uma parte do parque estrutural da nuvem, que tem três funcionalidades: o processamento e armazenamento de dados; a comunicação de outros serviços de computação; e também o volume.
Essa estrutura pode ser voltada para diferentes tipos de nuvens: A privada, exclusiva de uma única organização, onde somente pessoas especificas tem acesso livre. A comunitária, que se refere aos usuários que têm afinidade por determinado tipo de informações. As públicas, onde a infraestrutura da nuvem é de uso aberto ao publico. E, por fim a nuvem hibrida, que é mista. Ela é privada e pública ao mesmo tempo. Esta possui um controlador de acesso ao catalogo de informações armazenadas a fim de promover a preservação das identidades que ali estão confidenciadas. Podemos perceber muitos benefícios desta tecnologia: otimização de custos, segurança, integração tanto em uma escala micro, entre os cidadãos quanto macro, nas atividades do Estado.
Segundo Themoteo, "a Web exerceu influência sobre vários aspectos da atividade humana, modificando uns hábitos e criando outros tantos, criando novas profissões e extinguindo outras, influenciando também a política."
Assim chegamos ao objetivo que foi proposto este texto, as cidades digitais. Apesar de parecer ser uma realidade um tanto distante, cidades mundo a fora estão literalmente nas nuvens. Governos têm fomentado esforços na área de (TI) Tecnologia da Informação. E a área de (RI) Relações Internacionais visa promover a análise e as perspectivas desta interação do mundo da tecnologia nas relações internacionais, debaixo de uma ótica de que este desenvolvimento interno promove o desenvolvimento técnico na sociedade, passa a se organizar.
O mercado e a demanda mudam fazendo com que os serviços sejam mais qualificados, causando um efeito de dentro para fora, uma estrutura técnica, que bem fundamentada alcança novos horizontes além de suas fronteiras, isto é, o Spill-over (espalhar e transbordar), que produz a necessidade de criar novas demandas, tanto nos mesmos setores quanto em novos, gerando reações e respostas aos processos.  
E assim chegamos a Santander, na Espanha, considerada como uma cidade inteligente. O aplicativo SmartSantander promove aos cidadãos desta cidade qualidade de vida que vem das nuvens, como saber a localização do seu ônibus, a poluição do ar, o próximo taxi que irá passar a porta, dentre muitos outros serviços. Isto é fruto dos esforços do governo local em instalar mais de 12 mil sensores que captam as mais diversas informações.
O cadastro dos cidadãos nos serviços públicos são todos armazenados na nuvem, através de servidores. Os cofres públicos agradeceram, e o bolso dos cidadãos também, pois a disponibilidade de informações gerou mais economia na destinação de investimentos de ambos. A mobilidade urbana melhorou de forma significativa, e até mesmo interferiu em questões de desenvolvimento sustentável, pois a economia de água e melhor utilização de energia também melhoraram. A mesma passou a economizar em 25% o consumo de energia elétrica. E também os cidadãos passaram a ter mais poder de decisão política nos projetos do governo. Ou seja, a vida desta população foi transformada.
E ao falar de informações, falamos também de segurança, pois como já vimos, informações, nos dias de hoje, também são uma representação de poder. Por isso, Santander se destaca na criação de nuvem híbrida. As informações de seus cidadãos são sigilosas, estão ligadas intrinsecamente à identidade do individuo, ou seja, o governo de Santander tem total responsabilidade quanto a segurança das informações obtidas por seus cidadãos, vemos então a necessidade de um ator entre esses dois mundos, o virtual e o físico, ser o tutor dos parâmetros dessa realidade. A política também é um elemento preponderante para que o desenvolvimento ocorra.
Contudo, estar na nuvem não é mais um termo distante ou hilário, mas sim real e promissor, como diz WERTHEIM “Em contraste com nossos antepassados medievais, nós, ocidentais modernos, nos definimos por nossas formidáveis realizações materiais - nossos arranha céus, freeways e usinas elétricas - nossos automóveis, aviões e sondas interplanetárias. Nesta era fisicalista, navegamos o globo, pusemos homens na Lua, erradicamos a varíola, deciframos a estrutura do DNA, descobrimos partículas subatômicas, subjugamos a eletricidade e inventamos o microship. Todas estas são realizações extraordinárias, de que sem duvida podemos nos orgulhar.”
A conjuntura da humanidade passa por suas transformações antes em ótica transcendental espiritual, em função do meio, depois o meio pelo meio, e agora nos encontramos novamente no transcendentalismo, porém do ciberespaço. 

REFERÊNCIAS
TOFFLER, Alvin. Powershift: as mudanças do poder. Tradução: Luís Carlos do Nascimento Silva. 5ed. Rio de Janeiro: Recor, 1998.
LYOTARD, Jean-François. A condição pós-moderna. Tradução: Ricardo Corrêa Barbosa. 7 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2002.
WERTHEIM, Margaret. Uma história do espaço de Dante à Internet; tradução Maria Luiza. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
THEMOTEO, Reinaldo J.Apresentação. Democracia Virtual. Rio de Janeiro: Fundação Konrad Adenauer, 2013. P. 7-10
National Institute of Standards and Technology. Cloud Computing. Disponível em: http://www.nist.gov/itl/cloud/index.cfm. Acessado em 21 abr. 2014
The City Fix Brasil. Conheça Santander a Cidade Inteligente. Disponível em: http://thecityfixbrasil.com/2013/07/11/conheca-santander-a-cidade-inteligente/. Acessado em 24 abr. 2014.
Exame. Com 12 mil sensores, cidade de Santander ganha inteligência. Disponível em: http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/com-12-mil-sensores-cidade-de-santander-ganha-inteligencia?page=2.  Acessado em 24 abr. 2014

Endeavour Brasil. Cloud Computing e Software as a Service. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=b7hjYnWGurg. Acessado em 24 abr. 2014.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio.



Ana Carolinne Barata,
Acadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

A Usina Hidrelétrica de Santo Antônio (UHE SA), uma das primeiras grandes obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), teve início em 2008, ainda no governo Lula e está sendo realizada por duas grandes empresas construtoras brasileiras, Odebrecht e Andrade Gutierrez. Localizada no Rio Madeira, em Porto Velho (RO), a UHE SA será a 3ª maior Usina Hidrelétrica do país e a 6ª mais potente, gerando energia suficiente para 40 milhões de pessoas.

Atualmente torna-se muito mais difícil a possibilidade de construção de uma Usina Hidrelétrica, principalmente quando está localizada na região amazônica, como é o caso da UHE SA. Isso se dá pelo fato de hoje existirem muitos dispositivos de resistência diretamente influentes nesta tomada de decisão do governo, são eles principalmente Direitos Humanos e Órgãos de Proteção Ambiental, além da Proteção Indígena. Estes são construídos por Organizações Internacionais que formulam regras a serem seguidas nos países, pois este é um assunto que direta ou indiretamente reflete no Sistema Internacional, haja vista a necessidade de produção de energia renovável e a posição que a UHE SA ocupa perante as demais pelo mundo.
Devido à tradicional característica brasileira de produzir energia com o uso da água os organismo nacionais responsáveis pela obra (governo e construtoras), buscam corresponder de forma positiva a essas exigências internacionais, a fim tanto de alcançar o objetivo de produzir energia limpa, quanto de minimizar os danos (sociais, ambientais, políticos e econômicos) aos seus nacionais.
Por isso, o governo brasileiro investiu R$ 2 bilhões em 28 projetos que buscam a redução dos impactos à sociedade e ao meio ambiente, bem como o cumprimento das regras impostas pelos órgãos reguladores internacionais. E, visto a força dessas instituições e desses dispositivos de resistência, a inadimplência no cumprimento destas regras, pode levar à não permissão da obra ou impedimento de conclusão.
Reflorestamento.
Os principais programas de compensação e mitigação socioambiental são: Resgate e Conservação de Ictiofauna (detectou-se 900 tipos de espécies de peixes); Paleontologia e Arqueologia (20 mil peças foram descobertas e catalogadas); Conservação da flora (foram feitas coletas de 400 mil mudas para serem reflorestadas, com a presença de biólogos e engenheiros florestais); Resgate da fauna (construção de um centro de triagem para todo e qualquer animal silvestre que habitava o local das obras).
A questão de construir uma usina hidrelétrica com a pressão de tantos atores contrários pode ser analisada pela Teoria dos Jogos de Dois Níveis de Robert Putnam, pois as tomadas de decisão do governo brasileiro foram barganhadas com as arenas decisórias domésticas (Nível II), neste caso, as construtoras, os defensores dos Direitos Humanos, os órgãos de proteção ambiental e indígena, etc. E, isso foi ratificado pelos órgãos internacionais responsáveis (Nível I), para assim a usina hidrelétrica ser liberada para construção e funcionamento.

Em um caso como este, o papel do internacionalista pode ser de suma importância, tanto em nível interno quanto internacional, pois pode atuar de forma cirúrgica em ambos os níveis. No nível II pode aconselhar o governo e as a barganhar com as arenas decisórias internas. Já no nível I está apto a negociar a ratificação dos acordos com os organismos internacionais.
Hoje, a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio está com cerca de 60% da obra concluída, já produzindo energia. E é visível a real preocupação com os fatores sociais e ambientais, constatando assim que a barganha doméstica e a negociação internacional ocorreram e foram bem sucedidas, possibilitando a construção e futura conclusão da usina. Em conjunto com as outras hidrelétricas já em funcionamento no Brasil, a UHE SA distribuirão energia do Norte ao Sul do país.     

domingo, 10 de novembro de 2013

Democracia Virtual: O governo junto à população.



Bruna Pinheiro
Acadêmica do 4º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.

Democracia Virtual é um advento atual, que veio para democratizar o cyber-espaço em prol da participação política dos usuários de internet através das plataformas sociais (redes sociais) com suas manifestações frente aos governos nacionais. Ela serve para fomentar esta participação política nos mais diversos âmbitos que compõem a política de um país, tornando mais transparentes as ações do governo e os descontentamentos da população. 

Outros termos relevantes para a compreensão da Democracia Virtual são as Redes Sociais e as Mídias (plataformas) sociais. As redes sociais são interações entre as pessoas e os meios em que convivem. Um bate-papo informal entre dois amigos forma uma rede social entre eles. Em contrapartida, as mídias sociais ou plataformas sociais são encontradas nos meios virtuais e são utilizadas como ferramentas de socialização de interesses comuns, como por exemplo, a interação entre os usuários do Facebook e do Twitter.

A Democracia Virtual surgiu a partir do surgimento dos computadores e da disseminação da internet e de seus meios de comunicações, dando oportunidade para que a população e o governo criassem um canal de diálogo mais transparente, fácil, rápido e aberto. Além disso, esta ação democrática facilitada trouxe uma nova perspectiva política de interação entre os governantes e a população.

A partir dela, é colocado em xeque o padrão convencional entre a relação do governo com os seus cidadãos. Esta redefinição do relacionamento entre estes atores geram criação de novos debates, mesmo porque, apesar de todos os benefícios listados acima, não é a totalidade dos cidadãos que tem o livre acesso à internet para o acompanhamento seus direitos e para a manutenção deste diálogo aberto, causando por tanto, no caso da população brasileira, uma generalização que leva em consideração uma parcela ainda privilegiada da população.

Em outros países como os Estados Unidos e Inglaterra, esta ferramenta está mais difundida entre suas populações, até mesmo porque, o grau de desenvolvimento do país, escolaridade e engajamento político é muito considerável ao analisarmos esta nova prática de democracia.

Vários são os problemas da democracia virtual, em especial no Brasil. A falta de acesso e de políticas governamentais voltadas para ela são os maiores problemas atuais. Percebemos que o governo está tentando uma forma de dialogar com seus cidadãos através desta ferramenta, entretanto, ambos os lados ainda não estão totalmente cientes nem de seus papéis nem de como isto ocorrerá e suas consequências.

O Governo tem grandes problemas em conseguir conciliar a interação dos seus cidadãos via internet devido ao modelo arcaico que existe. Ele vem tentando conciliar os pedidos e a participação política com a sua estrutura e burocracia para que não saia desacreditado. Além disso, a mídia que vem junto com a internet através da rápida disseminação de notícias, possui atualmente um papel preponderante devido sua influência no cenário local e internacional. Por isso, toda cautela é necessária para lidar com coesão com estes meios.

A democracia virtual deve ser fomentada no âmbito no reconhecimento político da população. Atualmente, com as manifestações oriundas das mídias e plataformas sócias da internet, muito se têm a ganhar, basta que este engajamento político não seja em vão, e que o governo realmente saiba criar dispositivos para atender aos pedidos de seus cidadãos, além de tentar tornar este espaço o mais verdadeiramente democrático possível.

Referências:
FONSECA, Francisco. A Democracia Virtual: A Mídia sem freios e contrapesos. São Paulo – SP: Vozes, 2000. Acessado em: 08/11/2013. Disponível em: <http://www.anpocs.org/portal/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=4355&Itemid=317>
EGLER, Tamara Tania Cohen. Democracia virtual no governo da cidade. Liic em Revista, v.4, n.1, março 2008, Rio de Janeiro, p.41-53. Acessado em: 08/11/2013. Disponível em: <http://revista.ibict.br/liinc/index.php/liinc/article/viewFile/252/143>