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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

16 de Outubro - Dia Mundial da Alimentação


Lorena Falcão
Nutricionista/ CESUPA
Esp. Nutrição Clínica/ UEPA
Professora do Curso de Nutrição da UNAMA
Nutricionista do Programa de Alergia Alimentar do Município de Belém

Qual a relação entre a pobreza, a fome, a desnutrição e a insegurança alimentar?

A pobreza, a fome, a desnutrição e a insegurança alimentar estão unidas a partir do momento que a questão do capital e da renda direcionado para alimentação pode influenciar sobre a qualidade dos alimentos que estão sendo absorvidos pelas pessoas, e também na perspectiva da quantidade.
A desnutrição está relacionada com as perspectivas da quantidade, o acesso ao alimento nutritivo. Um alimento que tenha o conteúdo energético importante para contribuição do desenvolvimento saudável, como a estatura adequada das crianças.
E a insegurança alimentar está relacionada com essa pouca disponibilidade ou a indisponibilidade para alimentos que possam fortalecer esse peso adequado, o a falta de acesso adequado ao alimento que tenha uma relevância nutricional.

Considerando que em alguns países o problema não é a produção de alimentos, mas sua má distribuição. Qual a contribuição da educação nutricional para a segurança alimentar?

A contribuição nutricional para segurança alimentar é importantíssima, uma vez que a gente se preocupa em fazer com que as pessoas consumam alimentos adequados e nutritivos, mostrando para as pessoas a importância delas preparem seus próprios alimentos, informando os seus familiares e colegas sobre a importância de uma alimentação adequada não só na perspectiva do fitness, de estar com o corpo saudável, mas também na prevenção de doenças
A educação nutricional empodera as pessoas sobre a escolha adequada sobre os alimentos.

Segundo o Relatório global da FAO o Brasil saiu do mapa mundial da fome em 2014. O que o país pode ensinar para os outros países que estão em situações de insegurança alimentar?

O Brasil pode ensinar em várias situações: as iniciativas de um banco de alimentos, a agricultura familiar, a composição de alimentos orgânicos na mesa dos brasileiros e a própria alimentação escolar, implantado pelo PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar).

São iniciativas que fazem com que o Brasil consiga avançar no acesso ao alimento e ao alimento de qualidade.  

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Dia do Profissional de Fisioterapia e Terapeuta Ocupacional


Marcilene Pinheiro
Terapeuta Ocupacional/UEPA
Esp. Integração Sensorial/USC
MSc. Teoria e Pesquisa do Comportamento










Inter – Qual a diferença entre Fisioterapia e Terapia Ocupacional, suas especialidades e seus procedimentos?

De acordo com o CREFITO 12, o fisioterapeuta é um profissional da área da saúde capaz de intervir junto aos distúrbios cinéticos funcionais ocasionados por alterações genéticas, traumas ou doenças adquiridas, sendo sua conduta baseada nos aspectos da cinesiologia e biomecânica. Já o terapeuta ocupacional apesar de ser um profissional da área da saúde em sua formação tem muito da área social, sua intervenção se dá junto às alterações em funções práxicas, ou seja, junto à própria atividade humana, sendo sua conduta a partir dessa atividade humana frente ao eixo referencial pessoal, familiarmente coletivo e social.
Costumo dizer que alguns termos, como cinesiologia e práxis, parecem de outro mundo para aqueles que não são fisioterapeutas ou terapeutas ocupacionais, mas, se formos pensar de uma maneira bem empírica e até grosseira para definirmos ambas as profissões e diferenciá-las rapidamente, podemos afirmar que o fisioterapeuta em sua prática busca (re)habilitar o movimento, a força, a contração, a diminuição da dor, entre outras alterações que o indivíduo venha a apresentar em virtude de sua doença, enquanto que o terapeuta ocupacional busca (re)habilitar a função desse movimento, dessa força, dessa contração, dessa redução do dor que o fisioterapeuta trabalhou no indivíduo.
Acredito muito que fisioterapia e terapia ocupacional são duas profissões que trabalham em conjunto, principalmente, quando se trata da especialidade de reabilitação física, não tem como o indivíduo ser tratado só por um desses profissionais, pois, é justamente esse trabalho em conjunto que faz a reabilitação dessa pessoa ser eficaz!
Sobre as especialidades e condutas, são variadas! Normalmente as especialidades seguem o fluxo de eixo de desenvolvimento humano, principalmente na terapia ocupacional, isto é, infância e adolescência, adulto, e, velhice, além disso, tem especialidades que seguem a proposta de áreas de atuação, por exemplo, área de saúde mental, área hospitalar, onde a fisioterapia tem grande atuação, porque intervém muito junto à reabilitação respiratória e UTI, área social, saúde coletiva, educação e esporte, entre outras. As condutas e os procedimentos vão depender da especialidade de cada profissional.

Inter – Qual é o conceito histórico entre a relação da Terapia Ocupacional e Fisioterapia na América Latina?

Sabe-se que ambas as profissões surgem a nível de Estados Unidos e Europa para tratar militares com traumas, sequelas dos conflitos da Primeira guerra mundial, contudo, vale ressaltar que os registros da época e demais referências afirmam que até então as profissões ainda não eram definidas como são hoje, e que esse trabalho de tentar reabilitar esses indivíduos era muito primitivo, ou seja, sem padronização, sem conduta estabelecida, sem muitas especificidades, e feito muitas vezes por enfermeiros ou uma espécie de assistente social.
Diante disso, quando chegou à América Latina, mas, precisamente ao Brasil, (e agora a minha fala se volta pra Terapia Ocupacional) vem ainda muito com essa perspectiva de reabilitação física, mas, também com um viés voltado para a saúde mental, pois, na Europa Pinel, um psiquiatra francês, inicia por volta de 1790, um movimento de reforma psiquiátrica a partir da introdução de uma terapia através da ocupação no tratamento de pessoas com transtornos mentais.

Inter – No início dos anos 50, uma comissão da ONU visitou a América Latina e apresentou o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo como o local mais adequado para a implantação de um Centro de Reabilitação. Qual foi o papel fundante dessas duas áreas de atuação referente naquela época?

A implantação desse Centro de Reabilitação foi um divisor de águas para ambas as profissões, pois, é a partir da implementação desse centro que se consegue iniciar a formação acadêmica em fisioterapia e em terapia ocupacional, ainda não como bacharelado, mas, como "técnicos de alto padrão", pois, apesar de ser reconhecida como profissão desde o final dos anos 40 na Europa, no Brasil ainda era feita muito por enfermeiros e assistentes sociais. E só em 13 de outubro de 1969 que se tem o decreto lei n 938 que reconhece as atribuições profissionais e a formação de nível superior de Fisioterapia e Terapia Ocupacional.

Inter – Qual a importância do dia dos profissionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional e qual suas perspectivas da atuação na região amazônica?

Acredito que a importância deste 13 de outubro seja imensurável, pois, se formos analisar a fundo a história de ambas as profissões, apesar de suas peculiaridades, foi marcada por muita luta, muitos desafios, que perduram até hoje, pois, ainda enfrentamos a dificuldade para ser reconhecido muitas vezes por outros profissionais de saúde dentro de uma equipe multidisciplinar, por uma remuneração mais justa, por métodos e técnicas que outros profissionais querem usar e insistem em se apropriar e acabam deturpando esse método, essa técnica de intervenção e, consequentemente, o maior prejudicado é o paciente, o indivíduo que recebe diretamente esse método, essa técnica de maneira inadequada.
E as minhas perspectivas são as melhores possíveis! Acredito que são profissões importantíssimas e não tem como falar de uma sem pensar na outra, pois, se complementam a todo tempo, apesar disso muitas vezes ser desvalorizado por profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional.
Agora, falando mais de Terapia Ocupacional, tenho a esperança de daqui a alguns anos ter mais profissionais na região amazônica envolvidos com pesquisa própria de Terapia Ocupacional, com métodos e técnicas próprios de Terapia Ocupacional, em áreas onde a intervenção da Terapia Ocupacional é fundamental, como nas áreas de Educação e Saúde coletiva, por exemplo.

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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Dia da Língua Portuguesa

Prof.ª  MSc. Maria Ermelinda Báez

Ministra aulas nos Cursos de Letras e Relações Internacionais da UNAMA e no Parfor-Espanhol da CAPES/UFPA.  Formada em Letras pela Universidade da Amazônia, especialista em Abordagem Textual da Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Pará, Mestre em Educação pela Universidad Autónoma de Asunción







Inter - Segundo a CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa - o Português é o terceiro idioma mais falado do mundo. Como isso é possível se a língua portuguesa teve origens em uma pequena península na Europa Ocidental?

A disseminação da língua portuguesa ocorreu no período das grandes navegações que Portugal realizou nos séculos XV e XVI. A divulgação da língua e sua valorização eram instrumentos de consolidação do império português. A “exportação” do português para outros territórios resultou no mundo lusófono, ou seja, o mundo que fala português, hoje estimado em mais de 240 milhões de pessoas. Língua oficial de oito países, atualmente o Português é a terceira língua ocidental mais falada do planeta, após o inglês e o espanhol.

 Inter - Quando os colonizadores chegaram ao Brasil, encontraram habitantes que falavam principalmente o Tupi. A colonização impôs o Português como língua oficial. Houve ainda outras influencias: holandesa, espanhola, inglesa, italiana, etc. os variados idiomas influenciaram, de algum modo, o desenvolvimento da Língua Portuguesa no Brasil?

O português que se fala hoje no Brasil é resultado de muitas transformações. A Língua Portuguesa foi trazida ao Brasil no século XVI, por ocasião do “descobrimento”.
Quando os portugueses desembarcaram na costa brasileira, estima-se que havia aqui 1.200 povos indígenas, falantes de aproximadamente mil línguas diferentes. Além dessa diversidade étnica e linguística, foram trazidos ainda cerca de 4 milhões de africanos de diversas culturas para trabalhar como escravos. 
Tal pluralidade linguístico-cultural fortaleceu as bases da construção da identidade do português brasileiro. Isso se deu em detrimento dos interesses políticos e comerciais de Portugal, que tomara algumas medidas radicais, entre elas a proibição do uso das línguas gerais (a língua falada no Brasil colonial como língua de contato entre índios, portugueses e seus descendentes), e a imposição do português como língua oficial.
O contato entre indígenas, africanos e imigrantes  que vieram de algumas regiões da Europa favoreceu o chamado multilinguísmo. Além da fase bilíngue pela qual passara o português, o multilinguísmo contribuiu para a formação identitária do português brasileiro. As línguas indígenas, por exemplo, contribuíram para o enriquecimento vocabular da botânica (nomes de plantas), da fauna (nomes de animais), da toponímia (nomes de lugares) e da onomástica (nomes de pessoas) do português do Brasil.
            
       Inter - Há o pensamento dominante de que haja um “modo certo de falar” a Língua Portuguesa.  Contudo, existe uma cobrança ainda maior com a escrita. Como chegar a um consenso do que seja melhor no contexto de Brasil, por exemplo?

Não se deve confundir língua com escrita, pois são dois meios de comunicação distintos. A escrita representa um estágio posterior de uma língua. A língua falada é mais espontânea, abrange a comunicação linguística em toda sua totalidade. É acompanhada pelo tom de voz, algumas vezes por mímicas, incluindo-se fisionomias. A língua escrita não é apenas a representação da língua falada, mas sim um sistema mais disciplinado e rígido, uma vez que não conta com o jogo fisionômico, as mímicas e o tom de voz do falante.
O pensamento de que “há um modo certo de falar” se deve a uma noção limitada de língua. É importante lembrar que existem variações linguísticas e tais variações podem ser de vários tipos: regionais, culturais, profissionais, contextuais, naturais (idade, sexo).
É pela língua que conversamos, comunicamos, pensamos, registramos, sonhamos, etc. É pela língua que o mundo acontece. Não existem falares errados, o que existem são falares diferentes. Da mesma forma como o ser humano está em constante processo de mudança, e também o mundo está sempre mudando, a língua também varia. Desse modo, precisamos entender que a língua deve servir sempre como fator de aglutinação social e não de discriminação e exclusão.
            
          Inter - Para o internacionalista é muito importante o conhecimento de variados idiomas para melhor entender e ser entendido no mundo globalizado. O mercado de trabalho brasileiro em Relações Internacionais é cada vez mais aquecido. Neste contexto, qual o valor da língua portuguesa neste ambiente diversificado?

Sabemos que a capacidade de falar e entender vários idiomas é indispensável para que o Internacionalista desenvolva uma carreira de sucesso. A crescente valorização do domínio de idiomas no mercado de trabalho é notória.
Com relação à língua portuguesa, é importante lembrar que o domínio da língua materna pode ser o diferencial na valorização profissional, pois a competência comunicativa garante potencial para ampliar a "empregabilidade" de um profissional, haja vista que quanto maior seu repertório, mais competência e segurança ele terá para absorver ideias e falar em público.


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

Leila Silva
Coordenadora Estadual de Promoção dos Direitos dos Trabalhadores Rurais, Combate ao Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas – CTETP

                  Qual a diferença entre exploração e violência sexual?

          Exploração sexual é a utilização sexual de crianças e adolescentes com a intenção do lucro ou troca, seja financeira ou de qualquer outra espécie. A violência sexual é uma grave violação dos direitos sexuais porque abusa e/ou explora do corpo e da sexualidade, a violência sexual pode ocorrer de duas formas: abuso sexual e exploração sexual.

          Diante de um mundo capitalista, onde se julga que a capacidade de produzir seja um princípio fundamental da existência humana e tudo é visto como mercadoria, como garantir a inviolabilidade sexual de crianças e adolescentes?

           Caso haja suspeita ou conhecimento de alguma criança ou adolescente que esteja sofrendo violência deve denunciar a situação e orientar a família sobre as consequências penais desta violação, bem como levar a informação para os adolescentes e crianças.

           Crianças e adolescentes são vítimas de tráfico humano voltado para o comércio sexual. Legislações e normas internacionais são imprescindíveis, mas não são suficientes para manter a integridade dos menores. Qual o papel da família no enfrentamento do crime de abuso/exploração sexual de crianças e adolescentes?

         O papel da família é fundamental para que se evite a situação de violência tanto intrafamiliar quanto extrafamiliar. No entanto, todos precisam estar conscientes de que este tipo de violação de direito não é algo "natural", pois só conscientizando é que conseguiremos enfrentar o problema.



terça-feira, 13 de maio de 2014

Papo de Qualidade "Marketing Internacional"


No último dia 08/05, comemorou-se o Dia do Profissional de Marketing. Em homenagem a este importante profissional, o professor de Marketing Internacional MSc. José Lucas, docente da Universidade da Amazônia (UNAMA), concedeu uma entrevista para blog Internacional da Amazônia. Ele fala sobre a importância deste profissional para o curso de Relações Internacionais e da relevância que o conhecimento em Marketing possui no mercado mundial.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Dia Internacional do Enfermeiro

 Tamilis Feitosa Leal
Acadêmica do 4º ano do curso de enfermagem da Universidade do Estado do Pará – UEPA


Considerando que a saúde preventiva é mais benéfica para população mundial e gera menos custos aos Estados, qual a atuação da enfermagem no processo de prevenção das doenças no mundo hoje?

A Enfermagem é uma categoria que permite um leque de atuações As áreas assistenciais permitem o enfermeiro atuar tanto na rede hospitalar, quanto a saúde coletiva (unidades básicas de saúde, unidade saúde da família...) em contato direto com o paciente – promovendo o cuidado de forma holística e sempre buscando a participação popular e contribuindo para emancipação social do sujeito no seu processo saúde-doença. A docência e a pesquisa têm se intensificando nos últimos anos, sendo imprescindível para reafirmar a enfermagem como ciência e elaborando novas tecnologias no cuidado em saúde direcionado a prevenção de doenças e promoção da saúde. O Enfermeiro também é preparado para gerenciar nas diversas instancias da rede de atenção a saúde, tendo papel indispensável na organização e pratica do Sistema Único de Saúde (SUS) nas comunidades e periferias no país.


A história da Enfermagem iniciou com o trabalho da italiana Florence Nightigale na Guerra da Crimeia (1854 – 1856), sua atuação foi posteriormente inspiradora para a fundação da Cruz Vermelha. Como foi a evolução da atuação profissional da enfermagem para além da área da saúde?

Para falarmos da atuação do enfermeiro para além da saúde, é importante destacar qual o conceito de saúde que nós queremos. Há tempos que o modelo biomédico vigorava e o cuidado em saúde se restringia em tratar doenças, não satisfazendo as necessidades humanas básicas. O modelo mais recente são os determinantes sociais: direito ao transporte de qualidade, direito ao lazer, boas relações familiares, escolaridade... fatores como estes interferem diretamente na saúde. Os Enfermeiros tem expandido seu papel para se tornarem defensores dos direitos humanos, ativistas políticos, cidadãos engajados, participando de movimentos sociais. Estão atuando nas universidades, na periferia, nos centros tecnológicos de pesquisa, ocupando cargos políticos. Entretanto, essa atuação ainda é mínima comparada ao número de profissionais de enfermagem em todo o país, isso nos remete a um processo de formação política da base. Entender a globalização e a economia política da saúde, tanto quanto um conhecimento sólido dos direitos humanos, como modelo de sociedade, combate às opressões e a diplomacia da saúde mundial são um desafio para a enfermagem, que ainda caminha neste sentido.


Qual a atuação e a importância do enfermeiro no contexto da ajuda humanitária internacional?

A enfermagem tem participado de programas de ajuda humanitária por todo o mundo. Atuando em lugares, na qual o contexto social está entre conflitos armados, epidemias, catástrofes naturais, refugiados e deslocados internos e desnutrição, a escassez de instalações de saúde, de profissionais qualificados e a inexistência da oferta de serviços gratuitos para populações sem recursos financeiros- lugares como Haiti, Camboja, Sudão do Sul e muitos outros.



sexta-feira, 14 de março de 2014

Entrevista: "A Língua Francesa"

         O mês de março é comemorado o mês da francofonia. E para falar um pouco mais sobre a língua francesa e sua importância no mundo, a professora de Francês I e II e também de Cultura e Civilização dos Povos na Universidade da Amazônia (UNAMA) Viviane Dantas nos concedeu a seguinte entrevista.


             A professora Viviane Dantas é Mestre em Estudos Literários (2009-2011) e licenciada em Letras como habilitação em Português/Francês (1999-2005) pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Tem especialização em Língua Portuguesa e Análise Literária pela Universidade da Amazônia (UNAMA), onde atualmente leciona Língua francesa e Estudos Culturais no curso de Relações Internacionais. É integrante do grupo de pesquisa NARRARES - Estudos de Narrativa de Resistencia (CNPQ). Doutoranda em Estudos Literários pela Universidade Federal do Pará (UFPA). (fonte CNPQ).


Blog Internacional da Amazônia Quais as facilidades e dificuldades em ensinar o idioma francês?

Viviane Dantas A maior facilidade no ensino do francês está, sem dúvida, no tronco linguístico do idioma, ou seja, assim como a língua portuguesa, tem sua origem no latim. No entanto, cada uma adquiriu ao longo de sua evolução, características provenientes de outros signos e culturas que fizeram parte do processo civilizatório nacional. Portanto, é necessário não esquecer que uma língua não é apenas um código linguístico, mas também um código cultural. Essa noção é imprescindível no momento em que se opta por estudar uma língua estrangeira. No auge da modernização em que vivemos e com o avanço desenfreado da tecnologia que impulsiona a comunicação e o fluxo de informações, muitas ferramentas foram criadas com o intuito de auxiliar no aprendizado mais apurado de um idioma em todas as suas competências linguísticas, além de difundir informações sobre a cultura daquele ou daqueles países que têm aquele idioma como oficial. Por outro lado, a tecnologia pode ser maléfica quando é utilizada de forma a poupar o esforço do aluno, ou seja, falo do uso de tradutores automáticos da internet que nem sempre são confiáveis. Deste modo, as ferramentas tecnológicas são altamente enriquecedoras tanto para o professor quanto para o aluno, mas este último precisa ter mais cautela ao utilizá-la para determinados fins que podem queimar etapas importantes no processo de aquisição da língua, sobretudo quanto à compreensão escrita.

Blog Internacional da Amazônia Qual a importância de ensinar a língua francesa para a formação de um internacionalista?

Viviane Dantas É lugar-comum ouvir que quem faz Relações Internacionais precisa aprender no mínimo três línguas estrangeiras. Embora isso seja verdade, é preciso reconhecer o que na verdade se ganha ao aprender um novo idioma. Além da facilidade da comunicação e compreensão, adquire-se uma competência que chamamos de tradução cultural, ou seja, o que anteriormente eu mencionei sobre a língua também ser um código cultural, podemos inserir nesse contexto. Ou seja, para um internacionalista é de extrema importância conhecer o universo cultural dos povos e suas expressões locais que nem sempre vão condizer com o seu referente cultural e linguístico. Quanto à língua francesa, no âmbito das Relações Internacionais, ela é idioma oficial da ONU, da UNESCO, da Cruz Vermelha Internacional, da OTAN, além de ser a língua materna de cidades sede das Instituições Europeias, como Bruxelas, Strasbourg e Luxemburgo. Para aqueles que querem seguir a carreira diplomática e precisam fazer a prova do Instituto Rio Branco, o francês é indispensável.

Blog Internacional da Amazônia O francês, juntamente com o inglês, são as únicas línguas faldas nos cinco continentes. Como a senhora avalia a difusão do francês no mundo? Observa-se que a língua francesa está visivelmente atrelada à sua cultura, e há quem diga que é a "língua da cultura". Qual é a relação entre língua e cultura?

Viviane Dantas A difusão da língua francesa pelo mundo se deve, em princípio, a dois fatores: um deles é a história imperialista da França em busca de novos mundos. No caso do continente Africano, por exemplo, grande parte foi dominada pelos franceses. O segundo é a importância que a França, enquanto nação, atribui ao idioma enquanto um forte símbolo de identidade nacional e cultural. O nacionalismo imbuído pela sonoridade e valorização da língua francesa enquanto cultura e identidade são importantes para a soberania do Estado. Por isso, a partir do século XX, a imigração em massa de outras nacionalidades e etnias para o território francês se tornou uma preocupação quanto às influências linguísticas externas que possam modificar a língua não tanto enquanto estrutura linguística, mas como um referente da história e da cultura francesas. No entanto, as línguas enquanto cultura mudam com o tempo e espaço, mas para o Estado o que importa é não perderem o seu caráter de língua oficial. Apesar disso, é notório que os franceses abraçam a causa, não estritamente em nível nacionalista, mas porque tem o prazer de falar e ler na língua materna de Jean Paul-Sartre, Simone de Bouvoir, Charles Baudelaire, Honoré de Balzac, Michel Foucault e muitos intelectuais que fizeram e ainda fazem parte do cenário intelectual do ocidente. Falar francês, para os franceses, é honrar com uma carga de conhecimento que se traduz na forma como apreciam um bom vinho ou a sua gastronomia. Tudo isso é cultura, língua.


A língua francesa no Mundo








segunda-feira, 10 de março de 2014

Entrevista: Programa de Iniciação Científica

Ana Carolinne Barata
Acadêmica do 6º semestre de Relações Internacionais da UNAMA

     
      1. Qual a importância da iniciação científica para um acadêmico?
Não só a iniciação científica, mas qualquer projeto dentro da Universidade é importante para que o acadêmico possa viver, de fato, o curso. A meu ver, a iniciação científica é uma oportunidade de você aplicar os conhecimentos já adquiridos no curso em um assunto de seu interesse, além de ser uma chance de viver de perto, um pouco daquilo que lhe chama a atenção.
No meu caso, eu já me interessava por Comércio Internacional e pelo Comércio Exterior, em especial a questão das empresas multinacionais. Agora eu poderei ver mais de perto (com a pesquisa de campo), além de analisar, um pouco, como isso funciona na região metropolitana de Belém. Ademais, a iniciação científica é um diferencial a parte no currículo de qualquer profissional, principalmente por estarmos na região amazônica que é tão carente de pesquisadores e, mais ainda, sendo da área de Relações Internacionais.

2. Como foi o processo de escolha do tema e de criação do teu projeto?
Como eu já disse, eu já me interessava pelo Comércio Internacional e pela questão das empresas no Sistema Internacional. Então desde o 2º semestre, eu já pensava em participar do PIC (Projeto de Iniciação Científica) com o assunto que me chamava a atenção, mas acabei deixando de lado. Passados alguns semestres e mais “madura” em relação ao curso e ao que eu queria (e com alguns “empurrõeszinhos”), finalmente procurei o professor Mário Tito, que aceitou ser meu orientador. E, em Outubro do ano passado começamos a dar corpo ao projeto.
Eu escolhi analisar as práticas sustentáveis das empresas exportadoras situadas na região metropolitana de Belém, pelo fato de a sustentabilidade ser um fator que passou a ser decisivo na internacionalização de uma empresa, mas que ao mesmo tempo, é contraditório, pois nem sempre essas práticas são, de fato, usadas, principalmente na região amazônica que é rica em recursos naturais e tem leis fortes relacionadas à preservação destes.
No entanto, a pouca fiscalização deixa estas leis, muitas vezes, só na teoria. Logo, as minhas pesquisas para a elaboração do projeto partiram daí e, depois de muito trabalho, eu entreguei o projeto para a participação do PIC.

3. Sabendo que tens um ano de pesquisa e trabalho pela frente, quais são as tuas expectativas quanto aos possíveis resultados da pesquisa?
Bom, o trabalho já começou (até porque não é pouco). E com isso, eu espero que as minhas pesquisas e o artigo final possam contribuir para a formação do conhecimento da comunidade acadêmica como um todo, pois o meu projeto abrange assuntos que podem ser vistos de vários aspectos e válidos de outras análises. Mas principalmente, eu gostaria de inspirar outras pessoas do próprio curso de Relações Internacionais a participarem do PIC, pois é uma experiência única na Universidade, principalmente para o nosso curso que nos dá base para analisar diversos assuntos e de maneiras diferentes, e assim, agregar conhecimento próprio e às outras pessoas, já que ao final do programa, a pesquisa fica disponível para todos.

4. Qual a relevância da tua pesquisa para o mercado de trabalho do internacionalista?

A pesquisa em si sobre a relação entre sustentabilidade e o comércio exterior envolve áreas relativamente diferentes, mas que se entrelaçam. Na região amazônica, um internacionalista que se envolve e se interessa por essas áreas, tem chances de fazer carreira nesses setores aqui mesmo na região metropolitana de Belém. Com isso, eu considero a minha pesquisa relevante, pois nas visitas a campo, eu estarei levando o “nome” do curso para dentro das empresas. Assim, ao mesmo tempo em que eu vou estar pesquisando assuntos relacionados às Relações Internacionais, eles também estarão conhecendo como pode ser o trabalho de um internacionalista, tanto em uma multinacional, quanto em relação ao meio ambiente. E isso, no futuro, pode trazer mais reconhecimento para o nosso curso que, aqui no Pará, ainda é pouco valorizado.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Entrevista: Recursos Hídricos (Prof. Dr. Milton Matta).



Os recursos hídricos representam um tema de extrema importância para o Sistema Internacional, já que em várias localidades do planeta pessoas vivem com escassez desse elemento chave para a vida humana, e estudos indicam que a tendência é piorar, e o Brasil – com destaque para a região amazônica – é um ponto crucial quando se debate os recursos hídricos. Por isso trazemos aos nossos leitores uma entrevista com o Professor Dr. Milton Matta¹, abordando esse tema.

¹ Possui graduação em Geologia pela Universidade Federal do Pará (1977), mestrado em Geologia e Geoquímica pela Universidade Federal do Pará (1982) e doutorado em Geologia e Geoquímica pela Universidade Federal do Pará (2002). Atualmente é professor associado I da Universidade Federal do Pará. Foi membro fundador da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas, Núcleo Pará e é conselheiro do CREA-PA com atuação destacada na Comissão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente.


1.    Professor existe de fato conflito mundial ou possibilidade de conflito mundial sobre a Água?
Existe. O que a gente nota hoje é que tem cerca de 300 conflitos potencias no mundo por causa da água.
2.    Na verdade, esses conflitos são movidos pelo quê? Pela ausência de água no mundo?
Não, porque não existe hoje ausência de água no mundo, o que existe é uma falha na distribuição dessa água. Então, tem alguns países que tem água em excesso, como é o caso do Brasil, e tem países que tem falta desse recurso hídrico. Então isso cria problema, porque quem tem muito não quer dar para quem tem pouco, etc. Isso vai gerar o conflito.
3.    Do ponto de vista dos recursos no Brasil, como a gente pode falar dessa disponibilidade de água?
O Brasil tem cerca de 12 % da água do mundo, alguns autores falam em 13%, já ouvi falar até 15%, mas é algo entre 12% e 15% de toda água no planeta.
4.    Essa disponibilidade de água pode ser trabalhada do ponto de vista da gestão de quê forma?
Eu costumo dizer que não existe a crise da água. O Brasil tem cerca de 30% da sua quantidade de água disputada por 93% da sua população. Hoje nós temos cerca de 7% na Amazônia – da população do Brasil – e nós temos 70% dos recursos hídricos. Temos que levar isso em consideração, ver essa distribuição e estabelecer critérios para uso e gestão dessa água.
5.    Os atores internos, os grupos de interesse internos tem conseguido levar em consideração a gestão desse aquífero aqui na Amazônia?
Não, porque eles não conhecem o aquífero, a SAGA (Sistema Aquífero Grande Amazônia). Isso a gente está divulgando desde o ano passado, é uma coisa nova, não se conhecia a potencialidade desse sistema aquífero, e agora nosso órgão de gestão parece estar querendo fazer licitação internacional para gestão desse aquífero.
Nós temos capacidade, nós temos amazônidas disponíveis para trabalhar com isso aí, com competência, todos com doutorado e infelizmente, parece que a gestão vai ter que ser internacional.
6.    O ‘SAGA’ na verdade está totalmente dentro do território brasileiro?
Está dentro do território brasileiro, ele está sob os Estados do Pará, Amazonas e uma parte de Amapá. Então, ele está embaixo da Amazônia brasileira e não é transfronteiriço, quer dizer, ele não é passado para outros países.
Já o aquífero Guarani tem um complicado arranjo de gestão com cinco países, é um aquífero transfronteiriço que realmente cria problema para você fazer a gestão.
7.    MT- Professor, quais são os principais desafios para a academia no que diz respeito dessa gestão da água?
É de criar mecanismos suficientes, de criar expertise suficiente para que se entenda como é que funciona essa relação entre a água superficial e a água subterrânea – nós temos as duas coisas –  e conseguir passar isso aí para gerações futuras.