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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A força de atração do Estado Islâmico sobre os jovens ocidentais

Thiago Correa
Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais da Unama

Atualmente, a maior preocupação dos governos ocidentais tem um nome: ISIS. O grupo terrorista islâmico configura, hoje, a principal ameaça à segurança nacional desde o surgimento da Al-Qaeda. Isto se deve ao fato de o Estado Islâmico pregar um novo tipo de terrorismo, sem fronteiras, que seduz e recruta jovens ocidentais, principalmente de religião muçulmana, mas que nem sempre são religiosos ou devotos.
A sedução parte da chamada subcultura – novo termo utilizado para as diferentes tribos formadas por jovens – jihadista, espécie de ideologia muçulmana radical e violenta, a qual tem se expandido pelos guetos europeus como “descolada” e “cool”. Combater essa expansão é o principal desafio desses governos locais.
Na Europa, discute-se a possibilidade de que os jovens estejam desalentados quanto às oportunidades a eles oferecidas, buscando assim, nos grupos extremistas, novas oportunidades e um modelo diferente de vida em sociedade. O especialista em Ciência da Religião Paulo Mendes Pinto, em entrevista concedida ao site Renascença, explica que por mais que os jovens europeus possuam um bom sistema de educação intelectual, os modelos utilizados por este sistema carecem de uma formação de caráter. Segundo ele, a família e as escolas têm sido falhas em transmitir os bons valores aos seus filhos e alunos.
Assim, esses grupos terroristas “atacam” a Europa de maneira sagaz, ao alistar para sua guerrilha filhos de uma sociedade desenvolvida, que alega se basear nos direitos humanos e na paz, mas que falha ao deixar de lado a inclusão racial e religiosa.  Eles, então vingam-se do apoio europeu às ditaduras do Oriente Médio, as quais deixam a região num completo caos.
Por outro lado, as comunidades islâmicas espalhadas pelo mundo não cansam de expressar repúdio a tais atitudes extremistas, afirmando que estas táticas não condizem com a fé do Islã. A comunidade islâmica da Grã-Bretanha, por exemplo, alega que os familiares têm avisado as autoridades quando descobrem que seus parentes pretendem ingressar ao ISIS.
De fato, o combate à aproximação dos jovens com o terrorismo parece precisar da ajuda de muitos: o Estado Islâmico é muito mais conectado que os outros grupos terroristas. Possuem um grupo de comunicação pela internet, um site na web, uma revista em inglês, e vários de seus membros possuem perfis em redes sociais. O aspecto jovial e moderno dos integrantes do ISIS contribui para criar a imagem de que participar do grupo é algo jovem e descolado. Um dos jovens líderes do ISIS, chamado Islam Yaken, foi apelidado na internet de “Jihadista Hipster”, por causa do cabelo grande e dos óculos grandes.
A Europa já teme o retorno de tais jovens treinados e doutrinados pelos terroristas ao velho continente. E se estes jovens se espalharem pelo mundo? Aí a preocupação adquire dimensões globais. Os Estados Unidos decidiram voltar a combater no Iraque e na Síria após a confirmação de que os recentes êxitos do ISIS atraem um número cada vez maior de norte-americanos à Síria, entre eles mulheres, além de profissionais como médicos, engenheiros, etc.

Por estas e outras razões, o grande medo do ocidente se escancara, armado e ameaçador: e se as grandes cidades ocidentais virarem palco de uma Guerra até há pouco tempo indiferente aos nossos olhos? Isso só confirmaria o que já se tem dito: as fronteiras entre os Estados estão cada vez mais tênues e os inimigos cada vez mais disfarçados na multidão.

REFERÊNCIAS

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

O Soft Power do Estado Islâmico

João Neves Neto
Internacionalista graduado pela Unama

Em Relações Internacionais se fala muito no Soft Power dos Estados Unidos, que fazem as pessoas a viverem o “american dream”. Mas nos últimos meses passamos a conviver com notícias dos atos violentos do Estado Islâmico. E mesmo com esses atos, o grupo jihadista consegue recrutar vários soldados pelo mundo. O Estado Islâmico estaria fazendo o Estado estadunidense provarem do seu próprio “veneno”?
O Estado Islâmico usa como mecanismo de promoção da sua causa, a utilização massiva de redes sociais, onde vídeos muito bem editados vêm mostrar a força e o crescimento do grupo, ao longo do tempo. Estima-se que com essa abordagem na internet, eles vêm recrutando quase dois mil ocidentais.
Outros grupos jihadistas tentaram usar a internet como meio de divulgação, mas nenhum chegou tão longe quanto o Estado Islâmico. O grupo usa programas, como o SoundCloud, para divulgar relatórios de combate, além de usar grupos no Whatsapp e contas no Instagram, para divulgação de vídeos e imagens.
Mesmo toda pessoa interessada na causa do grupo sendo aceita, o foco principal é voltado para os muçulmanos, para quem o Estado Islâmico aborda o califado como um dever e uma honra. A mensagem transmitida é glorificante e explana sobre abdicar das regalias do mundo ocidental em troca do trabalho divino. Em outras palavras, abandonar uma vida indigna por algo valoroso e grandioso. 
Percebendo todo esse poder de usar mecanismos de recrutamento de soldados, segundo o jornal estadunidense The New York Times, o governo dos Estados Unidos vem tentando combatê-lo. Uma única vez que uma conta em uma rede social, relacionada ao Departamento de Estado Estadunidense, respondeu a um militante do EI. Turaab, membro do Estado Islâmico, postou que sabia das dificuldades que muita gente está enfrentando para chegar ao grupo, mas pede que as pessoas que compactuam com sua luta mantenham o desejo pela Jihad vivo em seus corações. A resposta da conta usada pelo Departamento foi em tom de ameaça: “Os recrutas têm duas escolhas: cometer atrocidades e morrer como criminosos, ou serem presos e passarem a vida na prisão”.

A partir disto, podemos ver que o poder do Estado Islâmico está cada vez maior, cuja dinamização da tecnologia está sendo usada diretamente a seu favor e contra a hegemonia estadunidense que, como dito no inicio, está provando do seu próprio “veneno” e parecendo perder o poder sobre os países do Oriente Médio. 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A repercussão do Grupo Estado Islâmico no Sistema Internacional

Thiago Corrêa
Acadêmico do 6º semestre de Relações Internacionais
O conceito de Terrorismo utilizado pelas organizações internacionais é classificado por atos de violência física ou psicológica os quais são guiados através de ataques a um governo ou à população por este governada de modo a incutir medo/terror as suas vítimas.
Este tipo de violência pode ser praticado por uma enorme gama de instituições dispostas a alcançarem seus objetivos, o que torna a caracterização do terrorismo mais complexa. Isto é bem exemplificado pelo historiador e cientista político Walter Laqueur em seu livro A History of Terrorism na seguinte frase: “Nenhuma definição pode abarcar todas as variedades do terrorismo que existiram ao longo da história”.
Atualmente, os casos mais famosos e perigosos dessa natureza provêm de grupos os quais utilizam a violência por motivos étnicos e/ou religiosos e muitas organizações com essas características já são consideradas como grupos terroristas internacionais pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela mídia ocidental e também pelos meios de comunicação de sua área de origem. É o caso do Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS - em inglês: Islamic State in Iraq and the Levant - ISIL), um grupo islâmico que alega possuir autoridade religiosa sobre todos os Estados muçulmanos do mundo e que agora é conhecido simplesmente como Estado Islâmico (EI), além de tentar tomar o controle de várias áreas de maioria muçulmana dentre as quais estão Israel, Palestina, Jordânia, Líbano e outros.
O EI é um grupo jihadista, ou seja, luta a favor de uma fé perfeita segundo os conceitos de “empenho” e “esforço” que a palavra “jihad” denota dentro da religião islâmica. Antes formado por vários grupos terroristas insurgentes como o Al-Qaeda, o Estado Islâmico ganhou força com a criação de um Califado – forma islâmica de governo que prega a união da liderança política do mundo islâmico representada pelo seu chefe de estado, o Califa, um sucessor à autoridade política de Maomé.
 A força para a criação deste Estado – proclamado separado da Síria e do Iraque em janeiro de 2014 – veio principalmente da participação deste grupo na guerra civil da Síria e das denúncias de discriminação contra árabes sunitas desde a morte de Saddam Hussein.
Atualmente, esse Califado governado por Abu Bakr Al-Baghdadi, tem obrigado as pessoas que vivem nas áreas que controla a se converterem ao islamismo, sujeitando-as a torturas, mutilações e à pena de morte caso se recusem a ceder.
O EI possui pelo menos quatro mil combatentes no Iraque e já assumiu a autoria de ataques a alvos militares e do governo, bem como a morte de milhares de civis, principalmente muçulmanos xiitas, assírios e cristãos. O grupo é tão violento, que até mesmo o Al-Qaeda cortou qualquer tipo de relação com este alegando intratabilidade, violência extrema e brutalidade desnecessárias.
O que isso tudo tem causado no Sistema Internacional? Em primeiro lugar, parte da responsabilidade recai sobre os Estados Unidos, país que invadiu o Iraque em 2003 causando uma confusão cujas escalas ainda não foram completamente mensuradas, como a insurreição ao regime na Síria apoiada pelo governo de Obama mais recentemente, o que permitiu a ascensão de grupos mais extremistas que acabaram por tomar o território. O Secretário de Defesa norte-americano Chuck Hagel reconhece a força e motivação política do EI, as quais são alimentadas por um fanatismo religioso sem limites aliado a poderosas táticas e estratégias.
Como impedir um grupo que vem avançando sobre cidades da Síria e do Iraque e tomando-as para si? Como assegurar a integridade física de milhares de pessoas as quais têm sido subjugadas por este que não seria um grupo terrorista segundo Hagel, mas um projeto de Estado com armas sofisticadas, uma ideologia totalitária e recursos abundantes provenientes de ajuda externa?
Já há apoio para uma intervenção militar controlada na área e muitos indícios de que o mundo ocidental corre riscos, tendo em vista que recentemente o Rei da Arábia Saudita alertou o mundo de que se nenhuma atitude for tomada o ocidente será o próximo alvo do EI, pois o terrorismo não possui fronteiras.  Como exemplo disso, um vídeo no qual um jornalista americano é executado foi divulgado pelo EI há pouco tempo.
O primeiro-ministro David Cameron declarou que o Estado Islâmico é a maior ameaça já enfrentada pelo Reino Unido e alegou ser altamente provável que haja tentativas de atentados terroristas em território britânico. Numa tentativa de aconselhar um fim à tamanha barbárie sem incentivar ainda mais violência, o Papa Francisco declarou que “(...) é lícito deter o agressor injusto. (...) Eu não estou dizendo que bombardeiem ou façam a guerra, mas apenas detenham”, disse o papa defendendo que esta decisão deveria ser feita pela comunidade internacional.
Essa parece mesmo ser a saída. Só nos resta esperar que esta guerra não tome proporções mundiais.

REFERÊNCIAS 

O ocidente é o próximo alvo do estado islâmico, afirma rei saudita
Choque das civilizações - O Estado Islâmico
Como estado islâmico se tornou mais pergoso que Al-Qaed
Conflito envolvendo o estado islâmico na síria e no Iraque
Financiamento Estado do Islâmico

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Os Conflitos na Faixa de Gaza

Vandré Colares       
Acadêmico do 4° semestre de Relações Internacionais da UNAMA    


     Um dos temas mais contemporâneos e recorrentes em discussão quando o assunto é relações internacionais, sem dúvida, diz respeito aos conflitos israelo-palestinos. Aqui, far-se-á uma análise focada na faixa de gaza, abordando de forma breve a historicidade da região e a correlação desta com a teoria construtivista das Relações Internacionais.
              A história que cerca o conflito é demasiada complexa e extensa. Vale destacar alguns pontos recentes que circundam a região em questão. Gaza se tornou foco de conflito entre israelenses e palestinos também pelo fato de a região ter recebido refugiados palestinos após a criação do Estado de Israel em 1948, no pós-Segunda Guerra Mundial.
            Os israelenses creem que a região lhes pertence pelo fato de que a comunidade palestina foi ali estabelecida de forma “artificial”, uma vez que segundo eles, antes da chegada dos refugiados em 1948 não havia tal comunidade. Os palestinos, que por sua vez, reivindicam há muito a criação de um Estado soberano, lembram que no ato da criação de Israel, a faixa de gaza não estava delimitada como parte do Estado judeu.


            O conflito todo tem como pano de fundo a questão religiosa: há por parte das duas religiões (judeus e muçulmanos) a atribuição de enorme importância para aquelas terras, o que dificulta ainda mais a mediação e resolução do conflito. Uma vez que ambos creem veementemente que a terra lhes pertence por ordem divina. Assim, uma solução política é pouco provável.
           Um capítulo à parte é o envolvimento de grupos como o Hamas, o Hezbollah, o Fatah, as Jihads e assim por diante no conflito. Israel e o Ocidente, de uma maneira geral, os consideram como grupos terroristas, uma vez que usam de meios como atentados para combater a causa judia. Por outro lado, o Hamas, por exemplo, tem representação política forte e desempenha até mesmo um papel sócio-ideológico na região.
            Esse e outros contrassensos evidenciam a complexidade do conflito, que possui ainda muitos outros fatores relevantes ao entendimento do que se passa naquele espaço. Por conta do caráter complexo, é salutar analisar a questão israelo-palestina por meio da teoria construtivista das Relações Internacionais. 
          É evidente a relevância dos chamados fatores “não-materiais” no conflito. A religião enquanto peça fundamental para o entendimento dos fatos deixa clara a impossibilidade de uma análise fidedigna por meio das teorias estritamente positivistas, tais como o realismo e o idealismo, mesmo em suas “refinadas” versões “Neo-Neo”.
           Outro pressuposto construtivista que se encaixa aqui é o da mutabilidade constante da realidade, graças a relação de co-construçao entre os agentes e o meio. Por exemplo, até 1948 não existia de fato o Estado de Israel, sua criação foi resultado das forças estruturais da época, uma vez que esta era ditada pelos valores dos Estados ocidentais vencedores da Segunda Guerra. Israel, por sua vez, passa a modificar a estrutura no mesmo momento em que esta o modifica, pois representa também um agente do SI.


            Em suma, não é possível falar em “pré-existência”, ou em algo “estrutural” quando se trata de política internacional e relações sociais. Os palestinos passaram a habitar a região somete após a criação de Israel, que por sua vez inexistia antes de 1948. Ou seja, as condições conjunturais da estrutura e dos agentes, colaboraram para a construção social da realidade como a vemos hoje.
A Construção social também se aplica para denominar a construção de valores adotados por partes do conflito, tanto valores sionistas como antissemitas, como por exemplo, de grupos como o Hamas, que desejam a destruição do Estado de Israel. Esses valores são construídos com base em diversos fatores, inclusive os “não-materiais”, como a religião e a própria cultura pregada ali, de tal forma que o olhar construtivista parece ser o mais apropriado para entender o conflito.
            

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Mediação de conflitos Nas Relações Internacionais

Paulo Victor Silva Rodrigues
Acadêmico do 7º semestre de Relações Internacionais da UNAMA
           

Os conflitos existem nas mais diversas formas e lugares, protagonizados por diferentes atores. No Sistema Internacional os Estados são os principais, sendo capazes de alterar a balança de poder entre eles, como no caso das duas grandes guerras mundiais. Há também conflitos mais restritos, envolvendo Estados e atores não estatais e, saber como lidar com essas situações é necessário para que se consiga chegar a uma resolução ou ao menos amenizar os danos, evitando que os mesmos se propaguem. Por isso, A mediação de conflitos tem lugar de destaque dentro das Relações Internacionais. 
Considerando-se a Teoria dos Jogos de Dois Níveis, de Robert Putnam, pode-se afirmar que para se trilhar um caminho que leve à paz, ou pelo menos ao abrandamento de um conflito, é necessário se chegar a um tratado negociado igualmente com as duas partes envolvidas, com a intervenção de um negociador-chefe que tenha por objetivo buscar um entendimento que será atrativo para ambos.
Primeiramente, deve-se levar em conta que não é possível chegar a um acordo entre os dois lados se as negociações apenas acontecerem entre os representantes de governo, uma vez que dentro da lógica dos jogos de dois níveis, faz-se necessário uma interação entre a política doméstica com a internacional. Isto é, existem dois estágios no processo: o primeiro, conhecido como nível 1, onde ocorre a barganha entre os negociadores que leva a um acordo provisório; e o nível 2, onde se dão os debates no âmbito doméstico, levando-se em consideração os grupos e as coalizões internas que poderão dar apoio ou não à ratificação do acordo.
Além disso, deve-se identificar o nível em que está o conflito que se busca mediar. São 9 níveis de classificação e, o último deles é quando já chegou-se as vias de fato, ou seja, há confronto direto entre as partes, com a utilização de armas letais e consequente óbitos. Um exemplo disso é o conflito entre Israel e Palestina, o qual tem sua origem há mais de um século e tem se intensificado nos últimos dias, com bombardeios diários, direcionados principalmente à Faixa de Gaza. Portanto, sendo este conflito encaixado no nível mais elevado.
Entretanto, dentro dos Estudos de Segurança Internacional destaca-se que a mídia poderia dificultar a busca por uma resolução, uma vez que acabava divulgando imagens do inimigo que fazia com que conflitos que poderiam ser resolvidos se perpetuassem. Neste contexto, Deutsch sugeriu um “sistema de aviso antecipado” relacionado à comunicação massiva de conflitos interestatais, que detectaria quando a imagem do inimigo estivesse alcançando um nível perigoso. Defendendo, assim, uma cobertura de notícias mais equilibrada, com o objetivo de incentivar a mídia a apoiar formas não violentas de resolução de conflito.
Portanto, a mediação de conflito trata-se de um processo complexo e delicado que envolve várias etapas e esferas, buscando-se um consenso tanto no âmbito da política doméstica quanto na internacional, e de atores não estatais, os quais são capazes de influenciar positiva ou negativamente uma negociação, como no caso da mídia. Ademais, no atual cenário de interdependência complexa que o Sistema Internacional se encontra, buscar a mediação de conflitos é importante por trazer benefícios, pois um cenário sem conflitos oferece menores riscos, atraindo – por exemplo – investimentos e gerando melhorias na economia dos países.

REFERENCIAS
BUZAN, Barry. A evolução dos estudos de segurança internacional.  São Paulo: Ed. Unesp,2012.

PUTNAM, Robert D. Diplomacia e Politica Domestica: a logica dos jogos de dois níveis. Revista de sociologia e politica. V.18, n.36: 147-174. Jun,2010.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Apelo da ONU para a Síria

Evelin Oliveira
Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA



Qual o significado da vida humana? Atualmente, se analisarmos a questão frente às interações entre os agentes da política internacional, a resposta infelizmente será negativa e indignante. Nos últimos quatro anos, mais de cento e trinta mil pessoas morreram na Síria no conflito entre insurgentes e forças do governo do presidente Bashar al-Assad. 
O conflito devastou comunidades inteiras e forçou mais de nove milhões de pessoas a abandonarem suas residências. Segundo a BCC Brasil, 1 milhão de sírios estão refugiados no Líbano, os quais  já são quase 1/4 da população. Além disso, mais de 11 mil crianças morreram ainda nos primeiros três anos de guerra civil na Síria, a qual, agora em 2014 entra no seu quarto ano e estes números só tendem a aumentar, porém, devido a intolerância à imprensa no país, eles podem ser ainda mais alarmantes.
 O que os sírios almejam é um país mais democrático, onde a população seja ouvida. Segundo a publicação da BBC Brasil do dia 14 de março de 2014, esse cenário de conflito teve início bem antes, na chamada Primavera Árabe, quando um jovem na Tunísia, ateou fogo ao próprio corpo como manifestação contra as condições de vida no país. Ele não sabia, mas o ato desesperado, que terminou com a própria morte, seria o pontapé inicial para a deflagração de manifestações internas nos países árabes.  
Em seguida, o ideal revolucionário democrático se acendeu em outros países, como: Líbia, Egito, Argélia, Bahrein, Marrocos, Iêmen, Jordânia, Omã. Na Síria a luta é pela deposição do ditador Bashar al-Assad, cuja família se encontra no poder há 46 anos. O governo de Assad é repressor e violento e não zela pela qualidade de vida da população.
A guerra civil na Síria começou em março 2011, impulsionada pelos ideais de busca pela democracia que pode apenas consistir numa ideologia imposta pelo Ocidente, o qual acredita veementemente que esta é uma saída para um mundo mais digno e harmônico. O conflito interno do país é causado pelos diferentes interesses dos agentes atuantes que não permitem que o país seja homogêneo, pelo menos nessas questões. 
Nestes conflitos prevalece à utilização da violência para satisfazer os objetivos tanto do governo quanto dos rebeldes. Entre esses interesses divergentes está uma população amedrontada e devastada por atos desumanos utilizados pelas duas partes. Na Declaração conjunta dos chefes das Agências Humanitárias da ONU sobre a Síria, está explicito o apelo urgente em nome dos milhões de pessoas que tem suas vidas afetadas por causa da guerra.
De acordo com a Declaração, “parece que dias piores ainda estão por vir”, isso devido à existência de uma indefinição internacional, na qual não há um posicionamento que realmente dê assistência necessária à população, além de o acesso humanitário ser negado  tanto pelo governo quanto pelos rebeldes. 
O destino da Síria cada vez mais se torna obscuro e desolador, onde o povo sírio luta desesperadamente pela vida e mantém acesa a esperança de que um dia essa realidade mude. Para que isso um dia venha a acontecer, a comunidade internacional precisa urgentemente fazer mais por esse povo que vem sofrendo há quatro anos, porque pessoas inocentes não podem ainda continuar perdendo suas vidas em meio a atitudes irresponsáveis e impiedosas pela busca do poder.


REFERÊNCIAS:
BBCBrasil. Em três anos, conflito na Síria matou mais de 100 mil; entenda http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/03/140314_siria_3anos_entenda_dg.shtml, acesso em 01 de abril de 2014.
______. Com 1 milhão de sírios, refugiados no Líbano já são quase 1/4 da população http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/04/140403_libano_refugiados_siria_fn.shtml, Atualizado em  3 de abril, 2014 - 14:17 (Brasília) 17:17 GMT, acesso em 03 de maio de 2014.
______. Crianças na Síria são vítimas de atiradores e tortura, diz relatório  http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/11/131124_siria_criancas_mortes_conflito_rw.shtml, acesso em 29 de abril de 2014.
ESTADÃO. Um ano de Primavera Árabe, a primavera inacabada http://topicos.estadao.com.br/primavera-arabe, acesso em 31 de abril de 2014.
UNICEF. Declaração conjunta dos chefes das agências humanitárias da ONU sobre a Síria https://www.unicef.pt/18/site_declaracao_agencias_humanitarias_da_onu_sobre_a_siria_2014_04_23.pdf, acesso em 30 de abril de 2014.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A trajetória de Ariel Sharon no Oriente Médio

Renato Macedo

Acadêmico do 7º semestre de Relações Internacionais da UNAMA.


A morte de Ariel Sharon, no último sábado (11/01), foi capaz de instigar reações emotivas e acalorar debates sobre a política e seus meandros. O líder israelense construiu uma reputação política bastante controversa, reflexo da complexidade que é falar sobre política, relações internacionais ou até mesmo sobre moralidade no Oriente Médio.
A repercussão sobre a morte do ex-primeiro-ministro de Israel, acima de tudo, reforça a percepção da influência que os indivíduos podem representar para a política internacional e para a história. Isso porque quando o tema é política em Israel, e de forma mais abrangente, no Oriente Médio, o raciocínio predominante é estadocêntrico, com ênfase no aspecto da sobrevivência estatal, do paradigma Realista.
Israel Sharon foi responsável pela retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza, em 2005. O então primeiro-ministro, extremamente pragmático, teve a sabedoria de reconhecer que a presença dos 8,5 mil colonos judeus em Gaza eram um foco muito grande de tensão com os 1,3 milhões de palestinos que ali viviam. Este ato, fez com que Sharon perdesse o apoio do partido Likud (tradicionalmente menos propenso a concessões aos palestinos) e fundasse o Kadima, partido de centro.
A invasão ao Líbano, em 1982, (que ainda estava em uma situação de Guerra Civil) objetivou ser um duro golpe à Organização para a Libertação da Palestina (OLP). O papel de Ariel Sharon, então Ministro da Defesa de Israel, foi extremamente controverso nesse cenário: o apoio de Israel à facção cristã neste conflito permitiu que estes entrassem nos campos de Sabra e Shatila e perpetrassem o massacre de cerca de 2.000 pessoas, incluindo mulheres e crianças. Estes dois campos eram controlados por Israel, e deveriam, portanto, ser protegidos.
Não é exagero dizer que a trajetória política de Ariel Sharon refletiu todas as nuances possíveis da política no Oriente Médio, assim como representou também a vida de muitos outros homens e mulheres daquela terra, ilustres ou comuns, que carregam no cotidiano e em suas decisões o peso de séculos e séculos de uma intrincada história.
Este é um tema, aliás, que merece maiores aprofundamentos para todos aqueles que se ocupam da análise de temas internacionais, mas também para os que se interessam pelo futuro de nosso mundo.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Síria e o Desarmamento Químico

Amanda Elgrably
Acadêmica do 5º Semestre



Aos olhos da grande maioria, a atual cooperação da Síria quanto a destruição de seus armamentos químicos é motivo de comemoração apenas. No entanto, esquecem-se que as preocupações devem permanecer. A questão é o porquê. Por que motivo Damasco estaria entregando todos seus pontos de produção e armas químicas para a destruição?
Com certeza não por sua boa vontade, mas sim pela pressão sofrida e os impactos já causados e os que ainda estariam por vir com mais embargos, sanções e outros. As Relações Internacionais têm diversas áreas de estudos e Segurança Internacional com certeza é uma delas. Neste caso da Síria não se pode “afrouxar as rédeas” apenas por ter se vencido uma “batalha”, mas sim estar com os olhos bem atentos ao resto da problemática. A comunidade internacional deverá ficar com o pé atrás, pois em um país como a Síria, onde o regime adotado não é o democrático, como acreditar que estão sendo mesmo entregues todos os pontos de maior poder do governo Assad?

Não há mesmo como. Nestes casos as aplicações das mais variadas Teorias de RI nos farão pensar nas possibilidades, como em uma Teoria dos Jogos quase infinita. Cabe a cada governo uma postura que desencadeia outras sobre a questão, a Síria já esta movimentando sua peça no tabuleiro, assim como outros, estratégias são formadas, passos dados, mas ao se olhar pra trás, o pé de apoio com certeza vai estar lá, independente da Teoria adotada.



sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Resenha: Paradise Now



Danilo Ebúrneo
Acadêmico do 5º Semestre.

Nome original: Paradise Now 
Lançamento: 07de Setembro de 2005 (88min) 
Dirigido por : Hany Abu-Assad 
Gênero: Drama 
Nacionalidade: Palestina
 
"Amigos de infância, os palestinos Khaled (Ali Suliman) e Said (Kais Nashef) são recrutados para realizar um atentado suicida em Tel Aviv. Depois de passar com suas famílias o que teoricamente seria a última noite de suas vidas, sem poder revelar a sua missão, eles são levados à fronteira. A operação não ocorre como o planejado e eles acabam se separando. Distantes um do outro, com bombas escondidas em seus corpos, Khaled e Said devem enfrentar seus destinos e defender suas convicções."
O diretor Hany Abu-Assad já havia feitos alguns poucos documentários e filmes em sua curta carreira, mas foi com Paradise Now que ele alcançou a atenção internacional ao ter sua obra indicada ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2006.  Passando em diversos festivais de cinema ao redor do mundo, o filme chamou atenção pela sua temática polemica, ao mostrar o lado do terrorista nos atentados. 

O filme conta a história de Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman), dois jovens palestinos que são recrutados através de um conhecido para se aliarem a um grupo extremista, que planeja fazer um atentado em território Israelense, enviando homens bombas para fazer o serviço. Antes de o filme entrar no assunto terrorismo em si, é interessante o modo que os roteiristas Bero Bayer e Pierre Hodgson trabalham ao nos mostrar os rapazes como pessoas comuns, que trabalham numa oficina mecânica, saem juntos para beber e fumar e depois vão para casa. Uma rotina comum para muitos de nós ou para pessoas que conhecemos, mostrando que esses mesmos jovens poderiam ser Brasileiros, Espanhóis ou até mesmo Norte Americanos.                

Mas no momento em que Said e Khaled são recrutados pelo grupo extremista, eles parecem não ter problemas sobre o que vão fazer, como se soubessem e tivessem certeza absoluta que aquele momento chegaria, que eles foram preparados para isso.  A partir desse momento,  passamos por tantas dúvidas quanto Said e Khaled passam mais pra frente ao tentar entender o que estão fazendo e o porque estão fazendo, e á ai que a crítica do diretor Israelense toma uma inteligente forma.

Hany Abu – Assad é bem direto na sua direção, e quase nunca é sutil na sua mensagem.  Ele trabalha de forma seca, com câmeras quase sempre estáticas, passando a frieza daquele ambiente, o que foi inteligente, já que nas cenas em campo aberto o modo de direção mostra a tensão que a população passa ao ter nas sua cidade uma Guerra Civil (Como mostra o inicio do filme na imagem 1). No decorrer do filme, quando os jovens estão se preparando psicologicamente antes de amarrarem bombas no próprio corpo, o diretor já fecha no rosto dos personagens, passando a tensão dos mesmos para o espectador (Imagem 2).

Imagem 1
Imagem 2
O filme não tenta apagar a personalidade dos personagens que foram mostrados desde o inicio, tentando fazer algum tipo de transformação; Pelo contrário: Os mesmos rapazes que brincam com as sobrinhas e beijam a mãe todos os dias são os mesmos que estão com uma AK-47 nas mãos para fazer discurso filmado do pré- ataque.  É tão evidente, que podemos notar que apesar do discurso de ódio que Khaled está fazendo em frente à câmera, ele não tem nem mesmo ideia de como se segura uma metralhadora daquele porte, enquanto Said começa a ter dúvidas do porque fazem aquilo, já que sabia que nem ele e nem o seu amigo são os tipos de pessoas que andam com armas e fazem ataques.

Outro ponto inteligente do filme foi a vestimenta escolhida para o ataque. O líder extremista, ao amarrar as bombas nos rapazes (logo após cortarem os cabelos e fazerem a barba) traz ternos para cobrir as bombas, e se forem parados para serem revistados por soldados israelenses, eles podem dar a desculpa de que estão indo a um casamento.  Mas se era para cobrir as bombas porque não colocarem uma jaqueta? Ou então algumas blusas? A verdade é que a equipe do filme queria fazer era dar ênfase a importância que eles dão a fazer o ataque. Quando vamos a um evento de grande porte sempre vamos com terno ou roupa social. No caso deles isso era uma honra, e iriam vestidos respeitando tal ‘’evento’’.

Eu poderia entrar na questão de Relações Internacionais falando sobre o conflito de Israel e Palestina, mas pessoalmente acho que isso faria com que o filme perdesse sua força, já que o mesmo trata do terrorismo na visão do terrorista. Logo, seria certa estupidez da minha parte querer limitar um assunto que pode ser aplicado tranquilamente a qualquer evento internacional.  Deixarei que vocês pensem sobre isso e sobre o que foi estudado no curso. 

Espero que tenham tempo para assistir ao filme. Aproveitem e até a próxima!