segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Para que Auschwitz não seja esquecido


Bianka Neves
Acadêmica do 5º semestre de Relações Internacionais

Há exatos 70 anos, as tropas do 59º e 60º exércitos do 1º Front Ucraniano, sob o comando de marechal Konev, e do 38º exército do 4º Front Ucraniano, do coronel-general Petrov, libertaram os prisioneiros de Auschwitz. Este campo viu mais de 1,1 milhão de pessoas serem assassinadas, na maior parte judeus, mas também outros povos, como os ciganos, que também eram considerados indignos pelo nazi-fascismo.
Embora existissem outros campos, como Ravensbrück, Dachau, Buchenwald e Mauthausen, Auschwitz é o mais lembrado, por conta do tempo, que em seu curto percurso, conseguiu ser mais atroz em Birkenau do que nos outros lugares.
As atrocidades eram desmedidas mesmo sem a execução, a exploração total da mão-de-obra desses prisioneiros deixaria marcas profundas e irreversíveis. Esses complexos eram feitos também para gerar o máximo de lucro possível, até mesmo com os dentes de ouro, cabelos e a própria pele humana. Tudo era transformado em dinheiro para o financiamento daquela guerra. A prova disto é a própria estrutura de Auschwitz, por exemplo.

Em Auschwitz I, eram encarcerados apenas os presos políticos. Já em Auschwitz II, encontravam-se as barracas dos prisioneiros “impuros”, bem como, as câmaras de gás e os crematórios. E em Auschwitz III encontravam-se as indústrias, como a I.G Farben, a empresa que produzia o gás Zylon-B, que era usado nas câmaras de gás. Além dos próprios resquícios, imortalizados até hoje no Museu, daquilo que retiravam dos judeus, como seus sapatos e cabelos.
É interessante ressaltar que mesmo após a libertação do campo, houve relutância em se admitir que havia acontecido um genocídio naquele lugar. Mesmo aqueles que moravam próximos à Oswiecim, nome original polonês de Auschwitz, diziam jamais ter sentido cheiro algum incomum e forte, bem como nenhum resquício de fumaças pretas no ar. Era difícil acreditar onde a atrocidade humana havia chegado.
Então, o Holocausto só foi verdadeiramente reconhecido quando os processos de Auschwitz, realizados em Frankfurt entre 1963 e 1965 começaram. E, com isto, as reproduções do caos passaram a se tornar presentes, e em certa medida, necessárias. Para que as gerações novas soubessem o que havia ocorrido ali de forma brutal e como aquilo jamais deveria ocorrer novamente, já que, como mencionado, houve um tempo em que se preferiu “esquecer”, ou ainda, “não acreditar” no que havia se passado na Alemanha.
Portanto, estes 70 anos marcam muito mais do que a libertação daqueles sobreviventes, mas a memória viva de onde o ser humano pode chegar, e de que tamanha barbárie deve ser evitada e combatida. Seja através de programas de formação de policiais para identificar e combater crimes de ódio, como atualmente são oferecidos em Oswiecin, bem como eventos internacionais relembrando a data, como à ocorrida no último dia 27 de janeiro deste ano, nas terras de Auschwitz II, reunindo milhares de sobreviventes octogenários, líderes de Estado e entre outras personalidades internacionais. Os discursos ali proferidos foram marcados pelo apelo de que a nova geração jamais se esqueça de Auschwitz e dos horrores da guerra.
Outro ponto marcante do evento, e em certa medida contraditória, foi a ausência do presidente russo Vladimir Putin, que embora tenha enviado seu chefe de gabinete, Serguei Ivanov, causou certa tensão entre os líderes de Estado, tendo em vista, as medidas políticas que o país tem adotado e a própria guerra civil na Ucrânia, por conta dos separatistas. Sua ausência, então, sucinta contraditoriamente a celebração da libertação do extremismo do nazi-fascismo, e ainda vai além, pairando a dúvida de quanto tênue seria a linha extremista que marca a guerra civil na Ucrânia e o que o que estava sendo combatido naquele evento.


REFERÊNCIAS
BRASIL, BBC. Infográfico Interativo: a vida na cidade que abrigava Auschwitz. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150127_clicavel_auschwitz_lab. Acesso em 07 de fevereiro de 2015.
HOFMANN, Sarah. Auschwitz sintetiza horror de Holocausto em uma palavra. Deustch Welle. Disponível em: http://www.dw.de/auschwitz-sintetiza-horror-do-holocausto-em-uma-palavra/a-18217169. Acesso em: 07 de fevereiro de 2015.
KOROLKOV, Aleksandr. Os 70 anos de libertação dos prisioneiros de Auschwitz. Gazeta Russa. Disponível em: http://br.rbth.com/arte/2015/01/27/auschwitz_o_dia_da_libertacao_29185.html. Acesso em: 07 de fevereiro de 2015.

WELLE, Deustch. Em Auschwitz, apelos para que o Holocausto não seja esquecido. Disponível em: http://www.dw.de/em-auschwitz-apelos-para-que-o-holocausto-n%C3%A3o-seja-esquecido/a-18219944. Acesso em: 08 de fevereiro de 2015.

Globalizando: UNESCO incentiva mais educação física nas escolas

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura alertou que crianças e adultos em todo o mundo estão realizando cada vez menos atividades físicas. Segundo a UNESCO, essa tendência tem sérios riscos para a saúde e para a expectativa de vida e também no desempenho das crianças nas salas de aula e dos adultos no trabalho e na sociedade. Para a sociedade colher os benefícios de uma educação física de qualidade é preciso implementar a prática para meninas e meninos, e para jovens, de uma forma geral, dentro e fora das escolas. 


sábado, 7 de fevereiro de 2015

Dicas de Filmes

NIGHT WILL FALL (2014):

O DOCUMENTÁRIO INÉDITO CONTÉM IMAGENS OBTIDAS PELOS SOLDADOS ALIADOS, RECOLHIDAS COM O PROPÓSITO DE REGISTAR PARA A POSTERIDADE TODO O HORROR ESPALHADO PELOS CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO NAZISTAS. 

A VIDA É BELA (1997):

O LONGA CONTA A EMOCIONANTE HISTÓRIA DE UM JUDEU QUE É PRESO EM UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO JUNTO COM SEU FILHO PEQUENO E FAZ COM QUE O MENINO ACREDITE QUE ELES ESTÃO EM UM JOGO, PARA POUPÁ-LO DO SOFRIMENTO.

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO (2008):


O FILME COM A HISTÓRIA DE UM GAROTO, FILHO DE UM OFICIAL NAZISTA, QUE AO SE MUDAR PARA UMA REGIÃO ISOLADA, ACABA CONHECENDO OUTRO GAROTO DE IDADE PRÓXIMA QUE SEMPRE ESTAVA COM UM “PIJAMA LISTRADO” E VIVIA DO OUTRO LADO DE UMA CERCA ELETRIFICADA. A AMIZADE CRESCE COM O PASSAR DOS ANOS E A RELAÇÃO VAI SE TORNANDO CADA VEZ MAIS PERIGOSA 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Um Dia Para Lembrar Que Mulher Deve Ser Respeitada Todos os Dias

Kellimeire Campos
Acadêmica do 8º semestre de Relações Internacionais da Unama


“Devemos lutar para preservar o melhor de cada cultura e deixar para trás o que não é bom.
Não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher. Embora alguns argumentem que é uma ‘tradição’, devemos lembrar que a escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram defendidas com o mesmo argumento”.
Ban Ki-moon, Secretário-geral da ONU.

No dia 20 de dezembro de 2012 foi aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a resolução que instituiu o dia 6 de fevereiro, como o dia internacional da tolerância zero à mutilação genital feminina.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mutilação genital feminina (FGM, sigla em inglês) compreende todos os procedimentos que envolvam a remoção parcial ou total dos órgãos genitais externos ou quaisquer danos infligidos aos órgãos genitais femininos por motivos não médicos, sendo uma violação dos direitos humanos.
A OMS estima que a FGM teve sua origem na antiga civilização egípcia, e que mais de 125 milhões de meninas e mulheres tenham sido mutiladas em 29 países na África e no Oriente Médio, que é onde se tem dados disponíveis.
A faixa etária em que quase sempre é feita a FGM varia entre os 0 a 15 anos, mas mulheres adultas e casadas também estão sujeitas à prática. Existem várias motivações culturais e religiosas[1] para que esta prática continue sendo realizada em algumas sociedades. A exemplo disso, existe a crença de que essa assegura e preserva a virgindade de meninas e mulheres, assegura a fidelidade conjugal, e está relacionada com a imagem de mulheres “limpas” e belas.
As consequências da FGM são físicas e psicológicas, se iniciam no exato momento em que é feita a mutilação e segue pelo resto da vida dessas meninas e mulheres.
Os efeitos imediatos costumam ser as infecções e as hemorragias, que tem seu nível de gravidade aumentando de acordo com extensão da intervenção, que colocam em risco a vida destas pessoas. As sequelas também podem ser a infertilidade, problemas durante o parto, e como em quase todos os casos, fortes dores durante o ato sexual.
As sequelas psicológicas resultam da perpetuação de uma cultura de opressão das mulheres em todos os seguimentos de sua vida, inclusive na sua intimidade, e são ainda mais variadas que as físicas.
Após explicar, ainda que de modo simples, um problema que possui muitos detalhes e que provocam impactos intensos em vidas humanas, este texto propõe iniciar uma reflexão (que quase sempre beira o questionamento do universalismo dos direitos humanos e o entrave da soberania dos Estados), através de uma breve analise que será feita utilizando como ferramenta a teoria pós-moderna.
Para esta teoria, os conceitos de Poder e Estado não possuem o mesmo tratamento dado pelas teorias positivistas das Relações Internacionais (RI). O poder não é algo que é passível de posse, o poder se exerce e só existe em ação, sendo uma relação de força.
Neste contexto, o Estado não é o centro irradiador de poder, mas uma de suas diferentes manifestações. Para Foucault, “o Estado nada mais é do que um efeito”, logo não é um objeto previamente dado, mas o resultado de contingências que o antecederam.
 O Estado como conhecemos hoje passou por um longo processo de governamentalização, cujo domínio deixou de ser a territorialidade, e tornou-se a população. Assim este tipo de governo é exercido através da interseção do legislativo, com as práticas disciplinares e os mecanismos de segurança.
No que tange a FGM ocorre um processo de objetificação entre as pessoas das comunidades que praticam a mutilação, no qual as mulheres se tornam objetos que, ao não seguirem os padrões aplicados, não são aptas a participarem de convenções sociais entre aqueles sujeitos.
Fica evidenciado também a relação de poder entre diferentes agentes internacionais. A FGM tornou-se atenção mundial através da história da modelo somali, Waris Dirie, que foi mutilada ainda criança, com treze anos fugiu de seu casamento arranjado e trabalhou durante anos em Londres, até que foi descoberta por um fotógrafo e, assim, iniciou sua carreira internacional.
Dirie falou sobre sua experiência traumática em uma entrevista, e após isso, contou sua história em seu livro “Desert Flower” (que foi adaptado para filme), iniciando sua luta contra a prática da FGM. Ela foi nomeada embaixadora especial da ONU sobre os direitos das mulheres na África e criou a ONG Desert Flower que luta para extinção da FMG.
Em relação aos Estados eles também utilizam de seu poder disciplinar para eliminar esta prática. Foi o que aconteceu na Etiópia, onde um grupo de pessoas foram julgadas e penalizadas por terem praticado a FMG. E países como a Uganda, o Quênia e Guiné-Bissau também criaram leis com a finalidade de terminar com esta prática.
A FMG está passando a ser uma grave violação dos direitos de meninas e mulheres, para quem olha de dentro das comunidades que a praticam. Apesar disso, no ano passado a ONU declarou que se os números de casos continuassem como estavam, cerca de 86 milhões de meninas em todo o mundo ainda estariam sujeitas a sofrer a prática até 2030.

REFERÊNCIAS
Eliminação da mutilação genital feminina - Declaração Conjunta: OHCHR, ONUSIDA, PNUD, UNECA, UNESCO, UNFPA, ACNUR, UNICEF, UNIFEM, OMS. Disponível em: http://www.apf.pt/cms/files/conteudos/file/Livraria%20virtual/Eliminacao%20da%20MGF.pdf
‘Preserve o melhor da cultura e deixe para trás o que não é bom’, diz secretário-geral da ONU sobre mutilação genital feminina. Disponível em: http://unicrio.org.br/preserve-o-melhor-da-cultura-e-deixe-para-tras-o-que-nao-e-bom-diz-secretario-geral-da-onu-sobre-mutilacao-genital-feminina/



[1] Sobre as motivações religiosas a OMS e a UNFPA (United Nations Population Fund) elucidam que a FGM ocorre entre cristãos, judeus e muçulmanos, mas que nenhum de seus textos sagrados prescrevem essa prática.

Globalizando: Auschwitz: História e Consequências

Setenta anos depois do Holocausto, a vida em Oswiecim, na Polônia, continua. Mas ela não escapa da associação a um dos crimes de guerra mais terríveis da história, sendo mais conhecida pelo seu nome alemão: Auschwitz. O nome definia uma rede de campos de concentração, maior símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. Saiba mais sobre o acontecimento histórico amanhã, às 11h na Rádio UNAMA FM105.5, no Programa Globalizando. 


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Globalizando: América Latina tem 167 milhões de pessoas vivendo na pobreza

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, alertou que a América Latina tinha 167 milhões de pessoas vivendo na pobreza no ano passado, sendo que 71 milhões estavam em estado de extrema pobreza ou indigência. Os dados constam do relatório Panorama Social da América Latina 2014, lançado em Santiago, no Chile. O relatório mostra que apesar da falta de progresso de uma forma geral, cinco dos 12 países com informações disponíveis em 2013 registraram reduções da pobreza. Os principais foram Paraguai seguido de El Salvador, Colômbia, Peru e Chile.



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Fórum Econômico Mundial

Sabrina Sena
Acadêmica do 6º Semestre de Relações Internacionais da UNAMA


Fórum Econômico Mundial ou FEM, é uma organização sem fins lucrativos com sede em Genebra. É conhecido por suas reuniões anuais em Davos, na Suíça, onde se reúnem os principais líderes empresariais e políticos, assim como outros atores não necessariamente ligados a política.
No início deste ano, os principais temas debatidos foram sobre desigualdade social, o desempenho do Banco Central Europeu e a economia da China e dos Estados Unidos.
A principal preocupação do Fórum ainda recai sobre a questão das políticas econômicas globais a serem construídas pelas principais economias mundiais, bem como isso pode causar turbulências no mercado financeiro internacional que atingiria os países emergentes.
O momento, ao que tudo indica, é que a zona do euro e os Estados Unidos estão consolidando a estabilização econômica e a meta para 2015 é retomar o crescimento. O Banco Central Europeu (BCE) desenvolverá um programa de compra de títulos para aumentar a liquidez na zona do euro, mas para que isso seja uma medida exitosa, será necessário fazer reformas estruturais e, além disso, exigir a estabilidade econômica de países do bloco, como a Grécia.
Além disso, outras discussões envolveram a economia da China. O país é a segunda maior economia global e ultimamente vem sofrendo decréscimo econômico e isso tem repercutido mundialmente em diversos países. No entanto, em seu debate no Fórum, o primeiro ministro da China Li Keqiang, disse que Para estabilizar o crescimento, a China continuará a buscar uma política fiscal proativa e uma política monetária prudente.
Por que foi preciso discutir esses temas? Percebe-se a forte presença do tema “Economia” imperando nos debates internacionais. É necessário, sem dúvidas, porque a partir disso, diversos outros assuntos encaminham como a desigualdade, meio ambiente, saúde, estabilidade mundial etc.
Nos debates anuais do Fórum, pessoas importantes lideram os debates e esclarecem as iniciativas a serem tomadas pelos países, medidas políticas e empresariais. Não é um espaço para obrigatoriamente tomar medidas para serem colocadas em ação, mas um ambiente de discussão de ideias que irá ecoar em ações.
Por isso, temas que este ano foram debatidos não foram nada além do que aquele que continua assustando o futuro de nações emergentes, que é a desigualdade. Muito se ressaltou que haverá um momento em que se essa desigualdade não for de fato trabalhada, poderá começar a prejudicar o desemprenho do lado de quem ganha com essa desigualdade. Por isso, o encontro vem a ser importante para que pontos de vista sejam esclarecidos e o diálogo seja claro e aberto.

Referências
World Economic Forum Annual Meeting 2015. Disponível em: http://www.weforum.org/events/world-economic-forum-annual-meeting-2015

Por que a reunião de Davos é relevante para o Brasil?. Disponivel em: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150122_davos_levy_ru


Forum de Davos revela incertezas sobre economia mundial. Disponivel em: http://www.portugues.rfi.fr/economia/20130123-forum-de-davos-revela-incertezas-sobre-economia-mundial

A China consegue evitar a deflação¿ Disponivel em: http://www.valor.com.br/opiniao/3879522/china-consegue-evitar-deflacao

Globalizando: FAO quer mais ação para combater insegurança alimentar em conflitos

O aumento no número de conflitos e guerra pelo mundo está agravando a situação da insegurança alimentar em várias regiões, especialmente do norte da África e do Oriente Médio. O alerta é da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO. Uma das preocupações da FAO é também com a situação de mulheres e crianças, as primeiras vítimas de conflito e insegurança alimentar. De acordo com a FAO, 805 milhões de pessoas em todo o mundo vivem em situação de insegurança alimentar. 


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Pensamentos Internacionalistas: Os estudos pós-disciplinares de Shapiro

Michael Joseph Shapiro (1940) é um professor, filósofo e cientista político, com PhD em ciência política na Northwestern University, lecionou na universidade da Califórnia e em Massachusetts, dentre outras universidades.
Shapiro possui influencias teóricas de Emmanuel Levinas, Foucault e Derrida. Seus estudos são considerados “pós-disciplinar”, pois além de multidisciplinar ele utiliza várias tradições teóricas, como relações internacionais (RI), filosofia política, estudos culturais e psicanálise.
Autor de mais de quarenta artigos, Shapiro tratou assuntos, como, o papel da linguagem na representação e construção das RI e questionou a estética produzida e reproduzida nesta área de estudo.


“Strategic discourse, the linguistic practices through which security policy is represented, is examined from the point of view of the modes of representation through which it is expressed at the national or "official" level. The concept of strategy is elaborated to include, first, the sense in which all discourse is strategic, second, the legitimation issues that arise when security policy is confounded with other policy issues, and third, the special textual strategies required to legitimate official version of international events when films and videos of the events are shown on television”.


Shapiro. Michael J. Strategic Discourse/Discursive Strategy: The Representation of "Security Policy" in the Video Age. International Studies Quarterly (1990). Vol. 34, No. 3

Globalizando: OMS diz que mundo foi lento para identificar gravidade do surto de ebola

A diretora-geral da Organização Mundial da Saúde, Margaret Chan, afirmou que “o mundo, incluindo a própria OMS, demorou muito para ver o que estava acontecendo em relação ao surto de ebola”. A declaração foi feita em Genebra durante uma sessão especial do Conselho Executivo da OMS sobre a epidemia. Chan pediu a comunidade internacional que transforme a crise do ebola em uma oportunidade para criar um forte sistema para defender a segurança global de saúde. A tragédia ensinou várias lições sobre como prevenir e evitar situações como esta no futuro.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Direitos Humanos e Soberania

Christiane Ramos
Acadêmica do 5° semestre de Relações Internacionais da UNAMA



            O ano de 2014 foi um período que apresentou sérios desafios à comunidade internacional. Os acontecimentos variaram desde a epidemia do Ebola ao combate à ascensão do Estado Islâmico, por meio de uma coalizão militar formada pelos Estados Unidos em consonância com outros países. Agora, em 2015, os problemas pelos quais o sistema internacional enfrentou se alastram e se tornam questões de segurança internacional. O fato mais recente que causou comoção mundial foi a execução de prisioneiros na Indonésia, dentre eles, um brasileiro, sob a acusação de tráfico de drogas. Isso abriu uma discussão sobre até que ponto a soberania estatal é legítima quando fere os direitos fundamentais do homem. E mais: a soberania de um Estado é inviolável mesmo quando se trata de proteger a dignidade humana? Este é um tema complexo, mas é possível produzir considerações iniciais sobre o assunto.
            Instituído em 1648, o Estado é tradicionalmente considerado o principal ator das relações internacionais. O Capítulo I da Carta das Nações Unidas, que trata dos propósitos e princípios da organização, profere que “todos os membros deverão evitar em suas relações internacionais a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a dependência política de qualquer Estado”. Neste sentido, a ONU, como institucionalização da governança global para a paz e segurança internacionais, confia na soberania estatal como um instrumento para evitar conflitos, e o respeito à ela (soberania), por parte de outros Estados, é um meio de construção da paz.
Contudo, ainda neste capítulo, pondera-se que o ideal de soberania, de não-intervenção e de independência “não prejudicará a aplicação das medidas coercitivas constantes do Capítulo VII”, que define, no artigo 39, que o Conselho de Segurança possui a função de determinar a existência de uma possível ameaça à paz e segurança internacionais e que, portanto, decidirá quando tomar as medidas prescritas nos artigos 41 e 42. O artigo 41 prevê ações que não envolvem a utilização da violência, mas que podem ser eficazes para o restabelecimento da paz, no caso de uma ameaça surgir. As medidas “poderão incluir a interrupção completa ou parcial das relações econômicas, dos meios de comunicação, ferroviários, marítimos aéreos, postais, telegráficos, radiofônicos ou de outra qualquer espécie e o rompimento das relações diplomáticas”.
           

         Em um ambiente internacional interdependente e complexo, representar uma ameaça à paz e segurança internacionais pode ser muito custoso aos atores internacionais, sobretudo quando se trata dos Estados. Contudo, os acontecimentos atuais revelam que nem só de Estados se fazem as relações internacionais. O ISIS, Boko Haram, a Al Qaeda, dentre outros, não possuem respaldo no direito internacional e, deste modo, a aplicação das medidas da ONU se tornam potencialmente prejudicadas. As redes terroristas, em especial, que sujeitam a dignidade humana aos interesses particulares, são incógnitas na política internacional. Não pertencem – legalmente – a qualquer que seja o território, e suas ações, apesar de serem reais, são também virtuais (DER DERIAN, 2010). Além do mais, dificilmente as medidas do artigo 41 seriam eficazes a esses grupos. Prejudicariam muito mais os países aos quais estão instalados, do que a própria organização terrorista, que possuem meios financeiros próprios e que geralmente não respondem com legalidade as relações econômicas internacionais. Por isso, o artigo 42 recomenda que:


           No caso de o Conselho de Segurança considerar que as medidas previstas no artigo 41 seriam ou demonstraram que são inadequadas, poderá levar e efeito, por meio de forças aéreas, navais ou terrestres, a ação que julgar necessária para manter ou reestabelecer a paz e segurança internacionais. Tal ação poderá compreender demonstrações, bloqueios e outras operações por parte das forças aéreas, navais ou terrestres dos Membros das Nações Unidas.

          Neste caso, a utilização da força, com consentimento da ONU, por meio do ideal de segurança coletiva, seria legitimado, não havendo, portanto, uma agressão à soberania estatal, mas uma resposta à uma intimidação inicial, resultando no estabelecimento de forças para contê-la. Ainda assim, a Carta da ONU está baseada nos Estados como sujeitos de direito internacional e apesar de compreender que os direitos humanos e o respeito à dignidade humana são pontos cruciais para a construção da paz, quando se trata da ação de atores não-estatais contra a população para alcançar fins político-religiosos, as medidas da ONU são praticamente irrelevantes, até porque as Nações Unidas representam um símbolo ocidental hegemônico (de acordo com o ponto de vista dos radicais) e os grupos terroristas do Oriente são justamente uma contra-hegemonia à dominação, divergindo do Ocidente tanto em interesses e interpretações da realidade, quanto em ações.

          Apesar de tudo, as Missões de Paz da ONU existem sem estarem respaldadas na Carta. Isso pode representar tanto um empenho em resolver os problemas mundiais, como a fome, as doenças, as guerras civis, quanto uma ação para fazer prevalecer os interesses dos Estados dominantes. Não se sabe, por meio da Carta, quais as funções e atribuições das Missões de Paz e das intervenções humanitárias, e isso pode abrir um caminho para atos imprecisos e equivocados, especialmente quando a decisão de intervenção emana de um grupo particular, seleto e restrito das Nações Unidas, o Conselho de Segurança.
O Estado é, acima de tudo, uma construção social, e como tal, seus membros, ou seja, a população, vive uma intensa relação de construção de identidade com a estrutura e vice-versa. Significados são produzidos e reinventados e tornam o vínculo entre os nacionais e a estrutura (Estado) muito estreito. Por isso, as intenções e as causas de intervenção e quebra de soberania estatal devem ser bastante discutidas – porque não se dissolveria apenas a soberania, mas um símbolo coletivo –.  Para Hobbes, o Estado é o corpo político que surgiu para tranquilizar o ambiente de incertezas e medos que a natureza humana proporcionava aos indivíduos. O Leviatã passou então, a comandar os mais diversos aspectos da vida humana. Este é o direito do Estado, como objeto surgido do consenso entre as pessoas. Contudo, até mesmo para o teórico inglês, um dos três grandes inspiradores filosóficos realistas, o indivíduo não pode ser destituído da vida nem por outros indivíduos, nem por parte do Estado. Ele tem direito à sobrevivência (CASTRO, 2012, p. 316).
          A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) expõe que “o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo” (1948). Portanto, assim como a Carta das Nações Unidas, a DUDH também confia na dignidade humana para a construção da paz. A soberania, apesar de ser um conceito presente na política mundial, está, em certos termos, passível a observações quando a dignidade da população é violada.  Portanto, para finalizar esta breve reflexão, vejamos o que, de acordo com Diniz, o ex-secretário geral da ONU, Broutos Broutos-Ghali pensa sobre intervenção humanitária, direitos humanos e soberania estatal.

      A intervenção humanitária, como objetiva à proteção das vítimas do conflito [por conflito, pode-se imaginar qualquer situação capaz de pôr em risco a sobrevivência humana], acaba por reafirmar aquilo que ela estaria violando, ou seja, a soberania. Isso porque a intervenção humanitária restaura a proteção dos civis que estão envolvidos no conflito e, consequentemente, acaba por restaurar o vínculo do Estado com os nacionais. É por meio, então, da violação da soberania, nos termos das teorias tradicionais, que se garante que a soberania do Estado perdure (2011, p. 60).

           
           
           
Referências:

CARTA das Nações Unidas. 26 de junho de 1945.

CASTRO, T. Teoria das relações internacionais. Brasília: FUNAG, 2012.

DECLARAÇÃO Universal dos Direitos Humanos. 10 de dezembro de 1948.

DERIAN, James Der. Terrorismo no século XXI: real, virtual ou banal? IN: Terrorismo e Relações Internacionais: perspectivas e desafios para o século XXI. Org.: Mônica Herz e Arthur Bernardes do Amaral. Rio de Janeiro: PUC-RIO: Loyola, 2010.


DINIZ, M. G. A. A tensão entre os conceitos de soberania e intervenção humanitária nos discursos do ex-Secretário-Geral da ONU Broutos Broutos-Ghali. Belo Horizonte: Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Programa de pós-graduação em Relações Internacionais, Belo Horizonte, 2011.

Globalizando: Nevasca leva ONU a fechar edifício da sede em Nova York

Uma tempestade de neve no nordeste dos Estados Unidos causou o fechamento da sede da ONU, em Nova York, na semana passada. A decisão foi anunciada pelo Departamento de Segurança da organização, horas antes de quatro governadores declararem estado de emergência para Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Massachusetts. Esta não é a primeira vez que a ONU fecha as portas da sede em Nova York por causa de tempestades e desastres naturais. Em 2012, o furacão Sandy levou as Nações Unidas a interromper seus trabalhos. 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, a aluna fala sobre qualquer assunto relacionado ao curso de Relações Internacionais. A entrevistada de hoje é a acadêmica do 5° semestre, Bianca Marques.



Confira o que ela tem para falar sobre R.I!

Globalizando: Direitos Humanos e Soberania

As formas de tratamento humano e punição variam de cada país, por vezes indo contra a Declaração Universal dos Direitos Humanos e colocando em debate a soberania de cada Estado em lidar com crimes e violações de conduta da maneira regida por sua legislação e cultura. Para saber mais sobre a ligação entre direitos humanos e soberania sintonize amanhã, às 11h, na Rádio UNAMA FM 105.5 e ouça o Programa Globalizando. 


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Globalizando: Na Nigéria, Boko Haram levou 1 milhão de pessoas a fugirem de casa

A violência causada pelo grupo extremista Boko Haram já levou 1 milhão de pessoas a deixarem suas casas na Nigéria. Os números são da Organização Internacional para Migrações, OIM, e do governo nigeriano, que trabalham em conjunto para tentar minimizar os impactos à população. Os ataques recentes levaram mais pessoas a sair do país, 135 mil buscaram refúgio nos Camarões, no Chade e no Níger. Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, mulheres e crianças formam a maioria dos civis que fogem da violência na Nigéria.  


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Programa Globalizando: Análise dos atentados na França e na Nigéria e a indignação seletiva

O programa desta semana foi sobre os atentados na Franças e na Nigéria. E como entrevistada, temos a internacionalista Mayane Bento. Ela é graduada em Relações Internacionais pela Unama, além de ser mestra pelo Núcleo de Meio Ambiente (NUMA) da UFPa. Atualmente é professora da Unama no curso de Relações Internacionais.

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, a aluna fala sobre qualquer assunto relacionado ao curso de Relações Internacionais. A entrevistada de hoje é a acadêmica do 3° semestre, Fernanda Ataíde.



Confira o que ela tem para falar sobre R.I!

Globalizando: Fundo Monetário Internacional reduz projeção de crescimento brasileiro

A estimativa de crescimento mundial caiu em 0,3%, segundo dados revelados pelo Fundo Monetário Internacional. Apesar da queda acentuada do preço do petróleo, a projeção do Panorama Econômico Mundial do FMI mostra que as expectativas de crescimento foram reduzidas pela diminuição de investimentos. A revisão também afeta os dados do Brasil. A nova atualização do FMI indica que a economia brasileira deve crescer 0,3% em 2015 e 1,5% em 2016. O crescimento previsto para 2016 também foi reduzido, passando para 3,7%. 


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Globalizando: Brasil diminui mortes por doenças não comunicáveis e é considerado exemplo pela OMS

Todo ano, 16 milhões de pessoas morrem de doenças do coração, pulmão, infartes, câncer e diabetes antes dos 70 anos, revelou a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com relatório, as mortes prematuras poderiam ser evitadas caso os governos aprovassem políticas para controlar o uso de tabaco, álcool e dietas pouco saudáveis, combatessem a inatividade física e fornecessem atenção médica universal. O documento destaca o exemplo do Brasil, onde a mortalidade por doenças não comunicáveis diminuiu 1,8% em contraste com a tendência global.



segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, o aluno fala sobre qualquer assunto relacionado ao curso de Relações Internacionais. O entrevistado de hoje é o acadêmico do 7° semestre, Fernando Moreira.



Confira o que ele tem para falar sobre R.I!

Globalizando: Mais de 200 milhões de pessoas estão desempregadas em todo o mundo

De acordo com um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), “Tendências Mundial de Emprego 2015”, o número total de pessoas desempregadas subirá das atuais 201 milhões para 212 milhões até 2019. O baixo crescimento, o aumento da desigualdade e a turbulência econômica, são os principais responsáveis pela perda de postos de trabalho em todo o mundo. Os mais afetados pela crise são os trabalhadores jovens, entre 15 e 24 anos. 


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Papo de Acadêmico

No “Papo de Acadêmico”, a aluna fala sobre um assunto que mais lhe interessa no curso de Relações Internacionais. A entrevistada de hoje é a acadêmica do 7° semestre, Joice Siqueira.



Confira o que ela tem para falar sobre R.I!

Globalizando: Atentados na França e na Nigéria

Neste mês ocorreram atentados terroristas na França, contra a sede do jornal Charlie Hebdo matando 12 pessoas, e na Nigéria, cuja ameaça é representada pelo grupo extremista Boko Haram, o qual atua com cada vez mais violência no nordeste do país. O debate sobre o terrorismo internacional têm se fortalecido cada vez mais na área de relações internacionais, por isso será o tema do próximo Programa Globalizando. Sintonize na Rádio UNAMA FM 105.5 no sábado às 11h ou na segunda às 21h. 


quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Globalizando: Papa condena ataques de Paris, mas critica insultos às religiões

O papa Francisco, ao falar sobre os ataques letais de militantes islâmicos em Paris, defendeu a liberdade de expressão, mas disse ser errado provocar os outros insultando sua religião. Dezessete pessoas, incluindo jornalistas e policiais foram mortas em três dias de violência iniciada com um ataque a tiros ao semanário humorístico Charlie Hebdo, conhecido por seus ataques satíricos ao islamismo e outras religiões.