Nielle Figueiredo
Acadêmica do 3° semestre de Relações Internacionais da UNAMA
O neorrealismo é uma das
tantas vertentes teóricas que compõe o campo das Relações Internacionais. Esta
corrente não é somente uma releitura do realismo clássico. Na verdade, ela abriu uma gama de
questionamentos, induzindo a tradição realista a uma reestruturação teórica que
fosse capaz de se adequar à nova realidade internacional.
Kenneth Waltz foi um dos
principais autores capazes de estabelecer os pilares da corrente neorrealista,
revisando os conceitos clássicos e criticando-os fortemente principalmente no
que tange a política internacional. Em seu livro “Man, the State and War” (1959).
Mostra que, na verdade, a realidade internacional está ligada ao sistema
internacional cujo mesmo é estruturalmente anárquico e propenso ao conflito, diferentemente
do que os clássicos acreditavam ser.
Waltz alega em sua trajetória
que o Estado deixa de ser o único ator do SI. No entanto, ele não perde o status
de ator mais importante. A autonomia da política internacional é quem determina
as ações do Estado excluindo fatores econômicos, de natureza humana, formação
cultural, dentre outros. Outro ponto a ser ressaltado é o da política do
equilíbrio de poder, já que dada a estrutura do SI, os atores são constrangidos
a maximizar o seu poder-força a fim de haver a maior securitização de suas
fronteiras.
Por outro lado temos outro
teórico neorrealista, Robert Gilpin. Este autor é defensor da política
econômica internacional e vem a chocar-se com Waltz quando afirma que a
estabilidade do Sistema Internacional depende da atuação da potência hegemônica
na medida em que ela é capaz de sustentar economicamente esse sistema, e que
essa estabilidade não mais é dada exclusivamente pela capacidade militar e
bélica dos autores internacionais. Definindo que o interesse dos Estados deve
ser dado tanto no que tange o poder militar, quanto econômico. Apesar das diferenças de ambos os
autores, é possível notar as semelhanças quando se fala no Estado como o
principal ator do sistema internacional sem excluir a atuação dos demais atores.
Há que se ter claro que para
Waltz, os atores não estatais são importantes somente em âmbito interno dos
Estados. No SI, a unidade nacional continuará sendo vista como unitária. Para
Gilpin, os atores não Estatais são importantes no sentido de que servem apenas como
fantoches para os Estados. Isto significa que, na verdade, tudo passa pelo
Estado. Portanto, para o Neorrealismo, ele ainda é o ator determinante das
relações internacionais.
Portanto, todas as ações
realizadas, coloca-se a frente os interesses do Estado, e também, quando eles
consideram como objetivo a preservação do status quo e a manutenção do
poder-força. No entanto como afirma Waltz “a expectativa não é que um
equilíbrio, uma vez alcançado, seja mantido, mas que um equilíbrio, uma vez
interrompido, seja restaurado de uma forma ou de outra” o que justifica a
propensão do SI ao conflito.
Referências:
MEDEIROS, Marcelo de
Almeida (Org.). Clássicos das Relações
Internacionais. 2.ed. São Paulo: Hucitec, 2011.
NOGUEIRA, João
Pontes. Teoria das Relações
Internacionais: correntes e debates. 15.ed. Rio de Janeiro: Elsivier, 2005.
SALDANHA, Eduardo. Teoria das Relações Internacionais.
Curitiba: Juruá, 2005.
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